Belém foi tomada no sábado (15) por um grande cortejo popular. A Marcha Mundial pelo Clima, segundo os organizadores, atraiu cerca de 70 mil participantes que percorreram as ruas centrais da capital paraense em defesa de pautas ambientais. O ato chamou atenção pela forte presença de símbolos da cultura amazônica.

Mascotes importantes da luta socioambiental apareceram em máscaras que cobriram parte dos rostos dos manifestantes. Ícones como o seringueiro Chico Mendes e o líder indígena cacique Raoni, ambos reconhecidos internacionalmente por sua atuação em favor da floresta, foram lembrados ao longo do trajeto. Cada máscara ajudava a reforçar a memória de figuras históricas associadas à proteção do bioma amazônico.

Outra referência marcante foi a alegoria do boitatá, serpente de fogo que faz parte do folclore regional. A figura — levada em estruturas coloridas — percorreu avenidas acompanhada por uma mistura sonora que alternava discursos políticos em carros de som com ritmos tipicamente paraenses, como carimbó e brega. O resultado foi um ambiente que mesclou manifestação e celebração cultural.

Na avaliação dos organizadores, a expressiva adesão evidencia preocupação crescente da população com temas ligados às mudanças climáticas. A pluralidade de participantes, vindos de diferentes bairros de Belém e de municípios próximos, reforçou o caráter coletivo do ato.

Ao longo do percurso, a coreografia das batidas de carimbó intercalou-se com falas de lideranças comunitárias, que se revezavam nos microfones instalados sobre os caminhões. O volume alto das caixas de som garantiu que a mensagem ecoasse por quarteirões inteiros, atraindo a curiosidade de quem assistia da calçada ou das janelas dos prédios.

Crianças, jovens, adultos e idosos caminharam juntos, alguns fantasiados com adereços de plumas verdes, outros pintados com cores que remetem às etnias da região. Cada grupo contribuiu para compor um mosaico que, segundo participantes, traduz a diversidade social e cultural da Amazônia.

A marcha se dispersou sem registro de incidentes após ocupar as ruas por várias horas. Os organizadores consideraram o evento um sucesso pela mobilização expressiva e pela visibilidade concedida às causas ambientais que afetam diretamente o cotidiano das populações amazônicas.

Com informações de Paraibaonline