O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quarta-feira (19) que o texto aprovado do Projeto de Lei 5.582/25, conhecido como PL Antifacção, pode comprometer a capacidade financeira da Polícia Federal (PF). Segundo o ministro, a proposta, que passou na Câmara dos Deputados na noite anterior, reduzirá recursos destinados a investigações de alto impacto, “asfixiando a PF, não o crime organizado”.
Haddad citou operações em andamento que, na visão dele, correm risco caso a matéria avance no Congresso. Entre os exemplos mencionados estão investigações sobre fundos de investimento na região da Faria Lima, a chamada máfia dos combustíveis no Rio de Janeiro e supostas fraudes no sistema financeiro. Para o titular da Fazenda, o movimento representa um momento “delicado” para o país no combate a esquemas de lavagem de dinheiro.
O projeto recebeu 370 votos favoráveis, 110 contrários e três abstenções. O relatório final, de autoria do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), passou por seis versões até chegar ao plenário, enfrentando críticas de parlamentares de centro, direita, base governista e também de parte da oposição.
A votação evidenciou tensões entre o governo Lula e a Câmara dos Deputados, conduzida pelo presidente Hugo Motta (Republicanos-PB). O líder do PT na Casa, Lindbergh Farias (PT-RJ), declarou que a escolha de Derrite como relator provocou “crise de confiança” com a Mesa Diretora. A base aliada tentou adiar a apreciação e buscou retomar a versão original enviada pelo Executivo, mas as iniciativas foram derrotadas dentro do plenário.
Logo após o resultado, Hugo Motta classificou a aprovação como uma mostra de que é possível construir convergência mesmo em cenário de polarização. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar disse que não houve “heróis ou vilões” e que a decisão representa “uma vitória do brasileiro”. O deputado também destacou que o texto, batizado por ele de “Marco Legal de Combate ao Crime Organizado”, seria uma resposta “dura” às facções criminosas.
Agora, o PL segue para análise do Senado Federal. Caso seja aprovado pelos senadores sem alterações, ele vai à sanção presidencial; se houver mudanças, retornará à Câmara. Enquanto isso, a equipe econômica e a direção da Polícia Federal tentam articular ajustes para preservar recursos considerados essenciais às investigações em curso.
Com informações de Polemicaparaiba




