No Dia da Consciência Negra, celebrado nesta segunda-feira, 20 de novembro, o presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Santos Rodrigues, afirmou que o Brasil registrou “avanços extraordinários” em matéria de igualdade racial nas últimas seis décadas. Ao mesmo tempo, o dirigente advertiu que o país continua enfrentando um racismo sistêmico que ainda determina obstáculos concretos para a população negra.
A data marca os 328 anos da morte de Zumbi dos Palmares, líder do maior quilombo da história colonial brasileira e símbolo de resistência contra a escravidão. Segundo Rodrigues, o próprio reconhecimento oficial do 20 de Novembro como Dia da Consciência Negra ilustra mudanças profundas no debate público: “Há 60 anos, discutir igualdade racial não ocupava espaço central nas políticas nacionais. Hoje, a sociedade reconhece a importância deste marco”, destacou.
Apesar desse avanço simbólico, o presidente da Palmares reforçou que “o racismo permanece estruturado em praticamente todas as dimensões sociais”. Ele mencionou entraves no mercado de trabalho, na distribuição de renda e no acesso a serviços públicos como exemplos de desigualdades que afetam a maioria da população negra. “Ainda somos confrontados por indicadores que revelam a distância entre a legislação antirracista e a realidade cotidiana”, ponderou.
Rodrigues defendeu que a superação do racismo estrutural exige ações contínuas e articuladas do Estado, do setor privado e da sociedade civil. Para ele, a mobilização em torno do 20 de Novembro precisa transcender as celebrações e traduzir-se em estratégias permanentes de combate à discriminação. “Os números provam que avançamos, mas também evidenciam que falta muito para garantir igualdade plena”, afirmou.
Ao longo da programação oficial, a Fundação Palmares realizou eventos culturais, rodas de conversa e homenagens a personalidades negras. A intenção, segundo o dirigente, é reforçar a memória de Zumbi e de quilombolas que resistiram à escravidão, além de valorizar a contribuição histórica dos afro-brasileiros para a formação do país. “Relembrar Zumbi não é apenas um ato de reverência ao passado; é um compromisso com o futuro que queremos construir”, concluiu Rodrigues.
O presidente encerrou sua participação nas celebrações com um apelo por vigilância permanente contra retrocessos. “Os avanços que conquistamos são resultado de lutas seculares. Não podemos permitir que sejam ameaçados”, finalizou.
Com informações de Paraibaonline




