O economista paraibano Cássio Besarria avaliou as possíveis consequências internas da medida que encerra o chamado “tarifaço” dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. A análise foi feita após o presidente norte-americano Donald Trump assinar, nesta quinta-feira (20), uma ordem executiva que elimina a sobretaxa de 40% aplicada a parte das exportações do Brasil.
Segundo Besarria, o ato norte-americano deve alterar o planejamento de indústrias nacionais que passaram os últimos meses se preparando para enfrentar barreiras mais caras no mercado externo. “Quando os empresários percebem que terão dificuldades para exportar, reduzem a produção. E uma redução de produção acaba repercutindo negativamente na questão dos empregos, geração de renda, consumo, entre outros fatores”, explicou.
A sobretaxa fazia parte de um pacote de medidas tarifárias imposto pelos Estados Unidos e alcançava somente uma parcela das mercadorias brasileiras enviadas ao país. Com a revogação, fica suspenso o acréscimo de 40 pontos percentuais sobre esses itens, o que, na avaliação do economista, muda imediatamente o cenário de custos para as companhias que atuam no comércio exterior.
Besarria ressalta que a retirada do encargo não significa, por si só, expansão automática da produção nacional. Ele pontua que empresários ainda precisarão revisar projeções de receita, margens de lucro e contratos internacionais firmados durante o período de vigência da taxa adicional. “A decisão é positiva, mas as empresas tendem a agir com cautela até que entendam em detalhes o novo ambiente de negócios”, afirmou.
Além dos efeitos diretos sobre as vendas externas, o economista destaca que a redução de incertezas no mercado internacional costuma influenciar o planejamento de mão de obra. Para ele, eventuais ajustes de produção, caso ocorram, poderão impactar a oferta de vagas e o nível de renda em regiões dependentes da exportação.
Embora a ordem executiva tenha validade imediata, a implementação prática da mudança tarifária depende de trâmites aduaneiros e da comunicação formal às companhias exportadoras. Besarria lembra que essas etapas administrativas também são monitoradas pelo setor produtivo antes de qualquer decisão de investimento.
Com o novo quadro, a expectativa é de que entidades empresariais façam um levantamento dos segmentos mais beneficiados pela retirada do adicional de 40%, enquanto o governo brasileiro acompanha possíveis desdobramentos na balança comercial. Ainda segundo o economista, os próximos meses serão determinantes para medir o real impacto da medida sobre emprego, renda e consumo dentro do país.
Com informações de Clickpb




