O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou nesta segunda-feira (25) que cortou relações políticas com o líder do PT na Casa, Lindbergh Farias (RJ), também natural da Paraíba. A declaração foi dada ao jornal Folha de S.Paulo e tornou público um desgaste que se arrasta há meses nos bastidores de Brasília.
“Não tenho mais interesse em ter nenhum tipo de relação com o deputado Lindbergh Farias”, afirmou Motta à publicação. Segundo auxiliares próximos ao presidente da Câmara, a partir de agora a convivência entre os dois parlamentares ficará restrita a assuntos institucionais, sem diálogo além do estritamente necessário.
Desavenças acumuladas
Integrantes do grupo político de Motta relatam que as divergências começaram em reuniões de líderes, nas quais acusam Lindbergh de elevar o tom das discussões e tentar desgastar a imagem da Mesa Diretora. Parlamentares alinhados ao presidente da Câmara também se queixam de que o petista age como “porta-voz informal” do governo federal, extrapolando a função de comandar apenas a bancada do PT.
A tensão interna na Câmara ocorre em meio a votações consideradas sensíveis pelo Palácio do Planalto. A ruptura explícita reforça o clima de desconfiança entre a base governista e o comando da Casa, responsável por pautar matérias de interesse do Executivo.
Resposta do líder petista
Em nota, Lindbergh Farias rebateu as críticas. O deputado classificou a atitude de Motta como “imatura” e afirmou que “política não é clube de amigos”. Ele citou decisões recentes de Motta que, em sua avaliação, contrariam o governo Lula (PT), como a derrubada do decreto que reduzia a alíquota do IOF, a chamada “PEC da blindagem” e a designação do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) para relatar o projeto de lei antifacção.
Derrite é ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, estado administrado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), apontado como possível adversário de Lula na disputa presidencial de 2026. A escolha do relator foi interpretada por petistas como sinal de alinhamento de Motta a um campo oposicionista.
Com o rompimento formalizado, aliados de ambos os lados admitem que o relacionamento tende a se limitar ao plenário e às reuniões regimentais, enquanto a articulação política do governo busca alternativas para evitar novos embates em votações consideradas estratégicas.
Com informações de Jornaldaparaiba


