Parentes do agricultor Cosmo Izidro, 61 anos, afirmam que houve negligência no primeiro atendimento prestado pelo Hospital e Maternidade Caçula Leite (HMCL), em Conceição, no Sertão da Paraíba. O agricultor faleceu em 19 de janeiro, no Hospital Regional Américo Maia de Vasconcelos, em Catolé do Rocha, após ser transferido com quadro suspeito de meningite.

Segundo a família, Cosmo procurou o HMCL na manhã de 14 de janeiro queixando-se de dor na garganta, dificuldade para se alimentar e falta de ar. Ele foi medicado e permaneceu internado aguardando exames, mas o estado clínico piorou nas horas seguintes. Apesar disso, parentes relatam que o hospital demorou a solicitar vaga em outra unidade com maior suporte.

Relato da família

Carlos Izidro, irmão do paciente, declarou ao programa Olho Vivo na segunda-feira, 24, que o agricultor não recebeu sequer lençol e travesseiro no leito em que ficou acomodado. Ele também afirma que um dos médicos minimizou a gravidade do quadro.

“Ele piorava a cada dia e o médico dizia que não era grave”, relatou Carlos. Ainda conforme o irmão, o profissional chegou a sugerir que Cosmo fosse liberado para casa no domingo, 16, com medicação, aguardando avaliação de um otorrinolaringologista particular na segunda-feira. A esposa do agricultor recusou a proposta temendo riscos.

Na noite de sábado, 15, outro médico – que, segundo a família, não conhecia o prontuário detalhadamente – assumiu o caso, prescreveu novos medicamentos e reforçou a necessidade de transferência. O agricultor só deixou o HMCL na manhã de domingo, já em estado crítico. “Ele saiu de lá 99% morto”, desabafou Carlos.

Cosmo faleceu na quarta-feira, 19, em Catolé do Rocha. O caixão precisou ser lacrado e tanto familiares quanto profissionais de saúde receberam imunização preventiva. A causa exata do óbito será confirmada após exame cadavérico.

Posicionamento do hospital

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o médico Steivison Lorena, que atendeu o agricultor em Conceição, negou qualquer omissão. Ele informou que Cosmo deu entrada às 7h de sexta-feira, 14, com saturação de 98% e pressão arterial normal. Após avaliação clínica, foram solicitados exames laboratoriais, raio-x, exames de imagem e o paciente ficou em observação.

Com a piora no sábado, foi autorizada internação e prescrita nova medicação. O médico explicou que o paciente necessitava de tomografia com contraste, exame que demanda preparo específico e estava programado para a segunda-feira. Diante do agravamento e da necessidade de UTI, Cosmo foi incluído na Central de Regulação de Leitos. Conforme Lorena, a solicitação foi reiterada várias vezes, inclusive após a intubação, mas não havia leitos disponíveis na rede estadual até a manhã de domingo, quando surgiu vaga em Catolé do Rocha.

“Em nenhum momento houve omissão ou negligência por parte dos profissionais do HMCL”, afirmou o médico, frisando que todos os procedimentos clínicos e burocráticos foram adotados.





O resultado do exame cadavérico deverá indicar se a causa da morte foi meningite. Até a conclusão da perícia, familiares aguardam esclarecimentos adicionais sobre o atendimento inicial.

Com informações de Diariodosertao