TRANSMISSÃO: Globo

A escola de samba Acadêmicos de Niterói, que dedicou seu enredo à trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, provocou críticas e reações contrárias de lideranças da extrema direita e de representantes religiosos evangélicos ao retratar o ex-presidente Jair Bolsonaro como palhaço, afirmar que Dilma Rousseff sofreu um golpe e satirizar valores conservadores.

Após o desfile, mensagens nas redes sociais de grupos ligados à direita passaram a questionar a possibilidade de tornar Lula inelegível, alegando que a exaltação do presidente configuraria propaganda eleitoral antecipada, já que ele é pré-candidato à reeleição.

No entanto, o advogado Matheus Lima, em sua coluna Direto ao Ponto, veiculada no programa Olho Vivo na quarta-feira (18) pela TV e Rede Diário do Sertão, afirmou que não identifica irregularidade eleitoral no espetáculo. Segundo ele, o que ocorreu foi uma manifestação artística sem pedido explícito de voto ou menção à campanha de reeleição.

Matheus avaliou que o desfile promoveu uma homenagem à figura pública que ocupa a Presidência e relembrou suas ações como gestor, sem direcionar o público a votar no mandatário ou fazer referência a um pleito futuro. A opinião foi apresentada no contexto da cobertura do episódio na mídia local.

Imagens do desfile mostraram representações politizadas, com Bolsonaro caracterizado de maneira satírica. A transmissão do evento foi realizada pela Globo, e trechos foram amplamente compartilhados nas redes sociais, alimentando o debate público sobre limites entre arte e propaganda eleitoral.

No julgamento técnico das escolas, a Acadêmicos de Niterói terminou em último lugar no Rio de Janeiro, com 264,6 pontos, o que a rebaixou para a Série Ouro. A agremiação recebeu apenas duas notas 10, inclusive uma no quesito samba-enredo. Em contraste, a campeã Viradouro contabilizou 34 notas 10 durante a apuração, que incluiu 36 notas por escola — quatro jurados para cada um dos nove quesitos avaliados.





O caso seguiu repercutindo nas redes e na imprensa, entre críticas políticas e defesas da liberdade artística, enquanto a apuração das escolas do Grupo Especial prosseguiu com a leitura das notas.

Com informações de Diariodosertao