Com menos de sete dias para o primeiro turno marcado para 4 de outubro, a disputa pelo Governo da Paraíba ganhou um capítulo jurídico. As equipes jurídicas das coligações de Cícero Lucena (MDB) e Efraim Filho (PL) passaram a protocolar no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) pedidos relacionados a levantamentos de intenção de voto — desde exigências de acesso a dados e sistemas de controle até tentativas de impedir a divulgação de resultados.
Suspensão cautelar da Anova
O episódio mais recente envolveu a pesquisa Anova/PB Agora, registrada como PB-06564/2026 e BR-09420/2026. O levantamento ouviu 2.000 eleitores em 70 municípios entre 20 e 22 de setembro, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A publicação estava prevista para 23 de setembro, mas a campanha de Efraim Filho questionou o registro do estudo na Justiça Eleitoral e obteve liminar cautelar que suspendeu a divulgação. O Instituto Anova recorreu da decisão para obter autorização de publicar os números. A medida cautelar, segundo interlocutores do processo, não significa, por si só, que haja confirmação de fraude ou manipulação.
Pedido de fiscalização sobre a Quaest
Na véspera, a coligação de Cícero Lucena acionou o TRE-PB em relação à pesquisa Quaest para as TVs Cabo Branco e Paraíba, PB-01325/2026. A solicitação buscou acesso ao sistema de controle, documentação da coleta, identificação dos responsáveis pelo trabalho de campo, planilhas individuais, relatório ao contratante e o questionário aplicado. Diferentemente da Anova, o pedido visava fiscalização e não a suspensão da publicação. A pesquisa foi divulgada normalmente em 22 de setembro. Foram entrevistados 804 eleitores entre 18 e 21 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. No cenário estimulado para o governo, a Quaest registrou Lucas Ribeiro com 49%, Efraim Filho com 16% e Cícero Lucena com 15%.
Data Ranking e indefinição judicial
Histórico de ações durante 2026
As ações judiciais contra pesquisas não são novidade neste ciclo. O MDB já questionou diferentes levantamentos ao longo do ano. Em agosto, a coligação de Cícero tentou suspender a pesquisa Real Time Big Data PB-07790/2026, que ouviu 1.600 eleitores entre 19 e 22 de agosto; o relator Bianor Arruda Bezerra Neto negou o pedido de urgência, entendendo que os elementos apresentados não demonstravam comprometimento da amostra, e a pesquisa foi divulgada.
PL e Seta
Por sua vez, o PL, do candidato Efraim Filho, já havia acionado a Justiça para obter dados internos da pesquisa Seta PB-00866/2026, realizada em Santa Rita, solicitando sistema de controle, identificação de entrevistadores, planilhas, mapas, relatórios e questionário; a Justiça autorizou o acesso. O próprio Instituto Seta também enfrentou ações do MDB em outras pesquisas estaduais: a PB-04436/2026 teve liminar determinando suspensão de resultados e retirada de publicações durante análise do processo; outra pesquisa Seta, PB-04859/2026, realizada em Cajazeiras, também recebeu decisão liminar suspendendo a divulgação. Essas decisões localizadas são cautelares, sem efeito de proibição definitiva enquanto não houver decisão de mérito.
Diferença entre fiscalização e suspensão
As medidas judiciais variam entre pedidos de fiscalização, que buscam acesso a documentos e dados sem impedir publicação, e pedidos de suspensão, que visam travar a divulgação. Na prática, a Quaest passou por fiscalização e foi publicada; a Anova teve a publicação suspensa cautelarmente após questionamento da campanha de Efraim, enquanto em casos como Real Time Big Data e DataTrends os pedidos de suspensão urgentes foram negados.
Pesquisas entram na estratégia jurídica
O conjunto de ações mostra que as pesquisas de intenção de voto deixaram de ser disputas apenas políticas e passaram a integrar as estratégias jurídicas das principais candidaturas de oposição ao governador Lucas Ribeiro (PP). O grupo de Cícero acumula um histórico mais amplo de impugnações e pedidos de fiscalização ao longo de 2026, ao passo que o PL também recorreu à Justiça, conseguindo nesta semana a suspensão cautelar da Anova/PB Agora. O TRE-PB lembra que o registro no PesqEle não equivale a aprovação prévia da metodologia ou dos resultados e que o tribunal atua mediante provocação dos legitimados.
Na reta final da campanha, os números das pesquisas viraram objeto de disputas judiciais e administrativas, com decisões cautelares, recursos e solicitações de fiscalização em curso.
Com informações de Polemicaparaiba



