Com as primeiras nuvens de 2026 surgindo no horizonte, o Sertão da Paraíba mostra um discreto verde, mas a realidade para os agricultores continua preocupante. Os açudes seguem com baixo volume e muitos poços artesianos apresentam vazão reduzida, comprometendo o cultivo e a criação de animais na região.

Reservatórios e pastagens debilitados

Apesar de chuvas pontuais em dezembro do ano passado, os volumes registrados foram insuficientes para recuperar os reservatórios. Em janeiro, a precipitação não ultrapassou um milímetro e não contribuiu para encher os açudes, que ainda exibem o fundo de lama. Sem pasto, produtores como Dona Irani Mangueira precisam recorrer a alternativas para alimentar o rebanho.

“Se não chover, não tem como nem sobreviver os bichos. Essa pouca água foi da chuva de dezembro. Se não tivesse, nem isso a gente teria. Não tem ração, não tem água, não tem mais nada”, relata Dona Irani, ressaltando a urgência de chuvas regulares para evitar perdas no setor pecuário.

Queda na vazão dos poços artesianos

Na manutenção de poços artesianos, o produtor Arnold Aquino contabiliza 25 anos de experiência e observa uma redução média de 50% na vazão. Em uma região onde um poço de mil litros por hora já é considerado satisfatório, a maioria não alcança mais esse desempenho.

“A cada ano notamos o lençol freático mais raso. Poços que antes garantiam vazão adequada hoje estão em estado de calamidade”, afirma Aquino, alertando para a escassez do abastecimento subterrâneo.

No cultivo de graviola, principal fonte de renda de Francisco Mangueira, o manejo tem sido improvisado. Conhecido como Edifram, ele armazena água de fontes alternativas e aguarda uma chuva que viabilize o plantio principal.

“Na minha opinião, a perspectiva de inverno é muito pouca. As chuvas foram pequenas e concentradas. A gente vai se virando com o que tem até os açudes encherem para irrigar”, explica Francisco.





Até o dia 19 de março, data de São José, os agricultores depositam esperança em novas precipitações. Enquanto isso, seguem as dificuldades para manter a produção agrícola e a criação de gado, dependentes de chuva regular e de reservatórios recuperados.

Com informações de Diariodosertao