No dia seguinte à abertura do Midiacom, evento realizado em João Pessoa para discutir o futuro da mídia, um artigo publicado no Jornal da Paraíba defendeu que o jornalismo só pode ter um compromisso: o interesse público. O texto responde diretamente a uma declaração do governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), feita na segunda-feira (25), quando o chefe do Executivo sugeriu que veículos de comunicação deveriam “assumir um lado” e expor de forma explícita quem apoiam ou a quem fazem oposição.
Segundo o artigo, a fala do governador levanta preocupação por insinuar que o esforço dos profissionais de imprensa para manter equilíbrio e independência esconderia preferências políticas. O autor sustenta que essa interpretação é distorcida e reitera que o jornalismo, para cumprir sua função social, não deve agradar governos, partidos ou grupos específicos, mas sim atuar como mediador entre fatos e sociedade, filtrando interesses particulares e destacando temas que influenciam a vida coletiva.
O texto lembra que, em um ambiente de circulação massiva de informações, a credibilidade da notícia depende de equilíbrio, proporcionalidade e transparência. Esses elementos, afirma o artigo, compõem a base da utilidade social da imprensa e justificam a necessidade de um método que rejeite o papel de instrumento político. O autor acrescenta que questionar, confrontar e apurar são práticas que protegem o direito do cidadão a uma informação confiável e “descontaminada”.
O artigo reconhece que jornalistas, como qualquer pessoa, possuem preferências, mas reforça que a busca centenária por equilíbrio serve exatamente para criar imunidade contra pressões políticas, econômicas e mercadológicas. Para o autor, a insistência em classificar veículos por “lado” desmonta esse princípio e muitas vezes revela a intenção de identificar quais meios estariam dispostos a se alinhar ao poder.
A crítica torna-se mais aguda quando o texto menciona regiões economicamente frágeis, como a Paraíba. Nesses locais, observa o autor, a dependência de verbas públicas de publicidade pode levar parte da imprensa a assumir postura mais complacente com autoridades e diminuir o espaço para críticas, denúncias ou alertas. Por essa razão, sustenta o artigo, o equilíbrio ‑ “mesmo com eventuais equívocos ou divergências” ‑ impede que a notícia seja condicionada a interesses de ocasião.
O autor diferencia ainda o jornalismo noticioso de colunas de opinião, explicando que, nestas últimas, a subjetividade é esperada e declarada. Já na cobertura factual, o compromisso exclusivo com a sociedade é o fator que garante autonomia em relação a governos ou ideologias. “Defender o equilíbrio é tomar posição pela sociedade”, afirma o texto, argumentando que a imprensa só cumpre sua missão quando não serve a ninguém além do público.
Com informações de Jornaldaparaiba




