O programa Olho Vivo desta quarta-feira, 15 de outubro de 2025, colocou em pauta a violência contra pessoas LGBTQIAPN+ e a necessidade de políticas públicas específicas no Sertão da Paraíba. Participaram da discussão a ativista Joyce Montinelly, integrante da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) e presidenta do Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas LGBTQIAPN+ de Cajazeiras, e o gerente municipal LGBTQIAPN+ Delanio Silva.
Falta de dados e parceria para mapeamento
Durante a entrevista, Delanio Silva explicou que o Sertão ainda não conta com números oficiais sobre casos de LGBTfobia. Segundo ele, a Prefeitura de Cajazeiras iniciou tratativas com uma instituição de ensino superior do município para realizar o primeiro levantamento estatístico sobre o tema.
“Os casos acontecem diariamente, e LGBTfobia não se resume a agressão física; inclui ofensas verbais ou qualquer ato que impeça alguém de ser quem é”, destacou o gestor.
Violência nacional contra pessoas trans
Joyce Montinelly apresentou dados da ANTRA indicando que, mesmo com possível queda em 2024, o Brasil segue liderando o ranking mundial de assassinatos de pessoas trans. As vítimas, em sua maioria, são jovens, pretas, pobres e nordestinas. Os dossiês da entidade também registram perfis de vítimas — como travestis e mulheres trans —, métodos de assassinato (esfaqueamento e arma de fogo) e casos de suicídio, considerados alarmantes.
Legislação municipal como referência
Os convidados apontaram Cajazeiras como município referência na criação de leis voltadas à população LGBTQIAPN+. Entre os dispositivos citados estão:
- Dia Municipal de Combate à LGBTfobia, celebrado em 26 de agosto, com uma semana de ações educativas;
- Lei que garante o respeito ao nome social e à identidade de gênero;
- Criação da Gerência Municipal LGBTQIAPN+, institucionalizada por lei.
Acolhimento e desafios
Joyce lembrou que casas de acolhimento específicas para pessoas LGBTQIAPN+ concentram-se em capitais como João Pessoa e Fortaleza. No Sertão, a rede de apoio inclui serviços como Conselhos Tutelares e Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).
Imagem: Priscila Tavares
Em Cajazeiras, a Casa de Acolhimento Valmira Meireles, mantida com recursos municipais e voltada a pessoas em situação de rua, também abriga integrantes da comunidade LGBTQIAPN+ que enfrentam vulnerabilidade. “A maior dificuldade continua sendo o preconceito”, frisou Delanio.
Para Joyce Montinelly, a presença de espaços institucionais e a cobrança por políticas efetivas representam avanços, mas ela ressalta que “viver no Sertão da Paraíba ainda é muito difícil” para quem integra a comunidade.
Com informações de Diário do Sertão



