Transmissão: Globo

Áudios apreendidos na investigação que resultou na prisão do delegado da Polícia Civil da Paraíba Braz Morroni e de outros dois agentes mostram o envolvimento dos investigados com grupos criminosos e a negociação de entorpecentes e armas. As gravações foram analisadas durante apuração que durou mais de um ano.

O secretário de Segurança Pública da Paraíba, Jean Nunes, informou que a apuração contou com a análise de mais de 40 mil áudios pela Polícia Civil e pelo Gaeco. Segundo ele, parte do objetivo das investigações foi impedir a expansão do Comando Vermelho no estado e coibir a associação de agentes públicos com traficantes.

Indícios de participação no tráfico

A maior parte das conversas interceptadas envolve Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba”, apontado pelas autoridades como o principal operador do esquema. Em várias mensagens, ele relata a existência de maconha, cocaína e haxixe, inclusive citando que parte da droga estaria guardada em sua residência.

Em trechos obtidos, o investigado descreve também a atuação para proteger suspeitos de tráfico em abordagens, relatando uma intervenção ocorrida após policiais rodoviários federais terem suspeitado de uma carga. Em referência a esse episódio, Bomba relata deslocamento enquanto estava em serviço para evitar que a apreensão avançasse.

As gravações mencionam ainda João Wicttor Alves de Lima, conhecido como “Vitor”, apontado pela Justiça como responsável por armazenar, refinar e comercializar drogas fornecidas pelos policiais, além de efetuar transferências financeiras a integrantes do esquema.

Participação do delegado preso

Em diversos áudios, o nome do delegado Braz Morroni aparece associado às transações. Em uma das mensagens, o investigador reclama sobre a cobrança de um pagamento relacionado a droga já entregue e menciona que o delegado havia questionado quando o valor seria pago. Outra gravação traz a negociação de venda de loló em que o lucro seria dividido entre integrantes do grupo, incluindo o delegado.

Também há trecho em que integrantes acertam repassar uma parte menor do valor combinado ao delegado, combinando atrasar e parcelar o restante do pagamento para não revelar a totalidade das vendas.

Logística e destino das armas

Os áudios apresentam detalhes sobre a logística da operação criminosa: controle e guarda de mercadoria, receio de quebra na cadeia de custódia e a possibilidade de conflitos graves caso ocorram trocas ou adulterações. Em outro momento, Bomba relata conversa com o delegado e um terceiro agente para checar, na Central de Polícia, informações sobre quatro armas apreendidas, sugerindo atribuição de uma delas a um suspeito de assalto e destino diverso para as demais.





As interceptações também mostram articulação de distribuição de entorpecentes para o interior do estado, citando nomes ligados ao Sertão da Paraíba, como José Alexandrino de Lira Júnior (“Húnior Liram”), e menções a Diego Ernesto Pereira Barros, ex-policial militar, no esquema de entrega e armazenamento das substâncias.

O material levantado durante as investigações integra os elementos que motivaram as prisões e os desdobramentos da operação.

Com informações de Jornaldaparaiba