Uma auditoria contratada pela Prefeitura de São José da Lagoa Tapada, no Sertão da Paraíba, apontou dívidas, ações trabalhistas e um possível desvio de mais de R$ 8 milhões que teriam sido herdados da administração do ex-prefeito Coloral (PSB). As informações foram divulgadas pelo assessor jurídico do município, o advogado Fabrício Abrantes, em entrevista ao programa Olho Vivo da Rede Diário do Sertão, nesta quinta-feira, 10 de outubro de 2025.
Segundo Abrantes, o levantamento identificou pendências com Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) junto ao Ministério Público, precatórios no Tribunal de Justiça e dezenas de processos movidos por ex-servidores tanto na Justiça comum quanto na Justiça do Trabalho. Além disso, a auditoria registrou o suposto desvio de R$ 8.054.000,00, valor que consta em denúncia encaminhada pelo atual prefeito, Neto de Coraci (Republicanos), ao Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB).
O principal investigado é o ex-secretário de Finanças Julierme Lino de Sousa. A Prefeitura também acionou o Ministério Público Federal, que solicitou a abertura de inquérito na Polícia Federal de Patos para apurar se o ex-prefeito tinha ciência das transações. “Como um auxiliar transfere valores das contas da gestão para terceiros sem a assinatura do prefeito?”, questionou o advogado, destacando que as senhas bancárias são pessoais e intransferíveis.
A atual gestão afirma que quase 50 ações trabalhistas de funcionários de uma empresa contratada anteriormente e outras cerca de 50 demandas na Justiça comum, relacionadas a férias, piso salarial e insalubridade de professores, comprometem o orçamento municipal. De acordo com Abrantes, esses processos poderiam ter inviabilizado o primeiro ano de mandato, não fosse um planejamento de contingência.
Em declaração ao Blog do Levi, em abril deste ano, o ex-prefeito Coloral disse ter descoberto as irregularidades por meio do contador e que registrou boletins de ocorrência em diversas instâncias. Ele negou envolvimento nas transferências, afirmou que nenhum valor foi creditado em suas contas ou de familiares e contestou o montante divulgado pela atual administração.
Imagem: Luis Fernando Mifô
Já em janeiro, o ex-secretário Julierme Lino confessou à polícia a autoria dos desvios, declarando que agiu sob ameaças de milicianos que estariam extorquindo sua família. Ele relatou ainda ter falsificado extratos bancários sob coação.
Fabrício Abrantes informou que o diagnóstico sobre a situação financeira deixada pelo governo anterior ainda não está concluído e que novos dados poderão ser divulgados à medida que a análise avançar.
Com informações de Diário do Sertão



