Quem: taxistas e mototaxistas de Cajazeiras, no Sertão da Paraíba.
O que: profissionais relatam queda na renda e insatisfação após novo reajuste nos preços dos combustíveis.
Quando e onde: relatos colhidos nas ruas de Cajazeiras pela equipe do programa Olho Vivo, da TV e Rede Diário do Sertão, após a alta expressa nos postos.
O aumento recente no preço da gasolina e do diesel gerou preocupação entre motoristas que dependem do deslocamento diário para garantir a renda familiar. Em entrevistas à reportagem, taxistas e mototaxistas descreveram dificuldades para repassar o custo aos passageiros e relataram redução do movimento nas corridas.
O taxista Egnaldo Soares de Sousa qualificou a situação como insustentável, afirmando que é difícil repassar o aumento ao consumidor final e que a categoria já sente o impacto no bolso, com menor demanda por corridas. Outro profissional, Edson Alves, comentou que a gasolina está “muito cara” — afirmou que os preços chegaram a quase R$ 7,00 — e declarou insatisfação com a situação política: “Se a política [eleição] fosse hoje, eu não votava mais nele, não”.
A categoria dos mototaxistas também enfrenta dificuldades. José Gonçalves Pereira, conhecido como “Nelson”, disse que não há margem para reajustar o preço das corridas sem perder clientes. Nelson contou ainda que costumava usar um aplicativo para obter descontos no abastecimento, mas que mesmo com essa ajuda o aumento chegou a quase R$ 0,90 por litro. Além do custo do combustível, ele citou problemas de conservação das vias, que aumentam a necessidade de reposição de peças, e a concorrência de novos aplicativos, que reduziram o número de corridas.
Outro mototaxista, Mazenildo Abreu, relacionou a alta dos combustíveis a conflitos internacionais, afirmando que a escalada da crise global afeta diretamente as famílias locais e pode forçar trabalhadores a abandonar a atividade caso os preços continuem subindo.
Impacto internacional e medidas no Brasil
O aumento dos preços ocorre num cenário de tensão no Oriente Médio, com bombardeios a instalações petrolíferas e ameaças ao Estreito de Ormuz. O barril do Brent superou US$ 100 na última sexta-feira (13), pressionando o mercado global e elevando o risco de desabastecimento.
No Brasil, a Petrobras anunciou reajuste de R$ 0,38 no litro do diesel A, elevando o preço nas refinarias para R$ 3,65 a partir do sábado (14). Em Brasília, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem articulado cenários para subsidiar decisões do presidente Lula. O Governo Federal anunciou zerar impostos federais e instituiu subvenções para tentar reduzir o repasse integral da alta ao consumidor. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, alertou que novos ajustes não estão descartados diante da instabilidade geopolítica.
As queixas dos condutores em Cajazeiras refletem a combinação de fatores externos e internos que repercutem diretamente na economia local e na rotina de quem depende do transporte para trabalhar.
Com informações de Diariodosertao




