O primeiro debate entre candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026 será realizado neste domingo (23) em um cenário atípico: os dois nomes à frente nas pesquisas não estarão no estúdio. O encontro, organizado pelo Grupo Bandeirantes, terá menos protagonistas e pode alterar a visibilidade dos concorrentes presentes.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) optaram por não participar. Após a confirmação, e com a desistência de Romeu Zema (Novo) anunciada neste domingo, os participantes no palco serão Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
O debate começará às 20h e está dividido em três blocos, com momentos previstos para confrontos diretos entre os presidenciáveis. A reduzida lista de participantes aumenta o tempo disponível para cada um e potencializa a exposição individual.
Caiado e Renan surgem como os que mais podem lucrar
As pesquisas mais recentes apontam Lula e Flávio como líderes, mas entre os nomes presentes no estúdio Ronaldo Caiado e Renan Santos chegam com melhores colocação nos levantamentos. O Datafolha divulgado na última sexta-feira (21) indicou Lula com 39% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 33%. Caiado aparece com 5%, Renan Santos com 4% e Romeu Zema registra 3%.
Na ausência de Flávio Bolsonaro, Caiado terá oportunidade de se posicionar perante eleitores de direita como alternativa ao candidato do PL. O governador de Goiás tem intensificado críticas ao representante do bolsonarismo e deve aproveitar o debate para reforçar tanto a oposição ao governo Lula quanto suas propostas, em especial sobre segurança pública.
Renan Santos, cuja projeção cresceu nas redes sociais, poderá usar a transmissão nacional para ampliar o alcance de sua campanha fora do ambiente digital. Segurança pública também deve figurar entre os temas abordados por ele.
Cury busca consolidar reconhecimento
Augusto Cury entra no debate com menor peso nas pesquisas e vê na participação a chance de apresentar suas propostas a um público mais amplo. A menor quantidade de concorrentes no estúdio tende a dar mais tempo e visibilidade a cada um, beneficiando candidatos com menor exposição prévia.
Mesmo ausentes fisicamente, Lula e Flávio devem ser centrais nas discussões: o governo Lula provavelmente será alvo de ataques, e a ausência de Flávio poderá ser questionada pelos presentes. Caiado já sinalizou que pretende explorar politicamente a falta de adversários, e Renan tem criticado tanto o presidente quanto o candidato do PL durante a campanha.
O efeito eleitoral do debate só será mensurável com pesquisas posteriores, mas, em termos de visibilidade, Caiado, Renan e Cury ganham uma plataforma importante. Enquanto Lula e Flávio evitam o risco do primeiro embate televisivo para preservar suas posições, os concorrentes que ocupam espaço no debate buscam se apresentar como alternativa e converter tempo de tela em intenção de voto.
Com os dois favoritos fora do palco, o primeiro debate presidencial de 2026 tende a ser menos uma disputa direta pela liderança e mais uma oportunidade para definir quais nomes poderão se posicionar como opção aos dois mais votados.
Com informações de Polemicaparaiba



