O Banco Central confirmou que iniciará a redução da taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), agendada para março. Apesar do anúncio, a autoridade monetária não detalhou o tamanho do corte e reforçou que os juros continuarão em patamar restritivo até que a inflação convirja para a meta.

A informação consta na ata do encontro do Copom realizado na semana passada e divulgada nesta terça-feira (3). Na ocasião, o colegiado manteve a taxa básica de juros em 15% ao ano pelo quinto mês consecutivo, o maior nível desde julho de 2006.

Objetivo da política monetária

De acordo com o documento, o BC percebe um ambiente de inflação mais brando e uma transmissão da política monetária mais clara. Por isso, avalia iniciar a flexibilização dos juros, mas mantendo “o nível de restrição adequado para assegurar a convergência da inflação à meta”.

A meta de inflação, determinada pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com tolerância de até 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, entre 1,5% e 4,5%. A estimativa do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano está em 3,99%, dentro do intervalo tolerado.

Contexto econômico

O Copom enfatizou que a condução da política monetária exige cautela em razão da elevada incerteza global, especialmente nas condições financeiras internacionais afetadas pelas decisões nos Estados Unidos. Internamente, a saúde das contas públicas e a política fiscal são vistas como fatores cruciais para a estabilidade dos preços e para a confiança dos investidores.

No âmbito doméstico, o BC destacou a resiliência do mercado de trabalho, com desemprego historicamente baixo e rendimento real em alta. Mesmo assim, a atividade econômica apresenta moderação, operando acima do potencial sem pressionar os preços.

Projeções de mercado

Segundo o último boletim Focus, o mercado projeta que a Selic cairá para 14,5% ao ano em março e continuará recuando, chegando a 12,25% ao ano até o fim de 2026.

A ata do Copom também ressalta que uma política fiscal contracíclica é essencial para reduzir o prêmio de risco brasileiro e manter a taxa neutra da economia em níveis compatíveis com o controle da inflação. O Banco Central defende que a previsibilidade e a credibilidade das políticas econômicas são fundamentais para o sucesso do processo de desinflação.

Com informações de Agência Brasil