O Banco Central (BC) determinou, em 15 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., instituição antes conhecida como Reag Investimentos. A decisão decorre de indícios de envolvimento da empresa em fraudes financeiras associadas ao Banco Master.
Com sede em São Paulo, a gestora e seu fundador e ex-CEO, João Carlos Mansur, foram alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal (PF) na quarta-feira (14), no âmbito da segunda fase da Operação Compliance Zero. A ação teve como objetivo recolher documentos e dispositivos eletrônicos que possam elucidar a participação da Reag no esquema investigado.
Em nota, o BC ressaltou que a liquidação extrajudicial se justifica “por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN)”. O órgão acrescentou que manterá “todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades, nos termos de suas competências legais”.
Além da liquidação, a autoridade monetária determinou o bloqueio dos bens dos controladores e dos ex-administradores da Reag Investimentos, a fim de evitar a dilapidação do patrimônio antes do encerramento das apurações.
A Reag está classificada pelo BC como instituição financeira do segmento S4, categoria que reúne empresas com participação inferior a 0,001% do total de ativos ajustados do SFN. Essa faixa de atuação permite à entidade uma regulação menos complexa em comparação a instituições de maior porte.
Atuando como gestora de aproximadamente 90 fundos de investimento, a Reag concentrava recursos de diversos investidores. Com a liquidação, os fundos permanecem ativos, mas ficarão sob responsabilidade de novos administradores que deverão ser contratados pelos cotistas.
As fraudes suspeitas envolvem operações de depósitos e saques entre esses fundos, caracterizando uma espécie de “ciranda financeira” para ocultar o beneficiário final dos recursos. Segundo as investigações, o valor desviado pode ultrapassar R$ 11 bilhões.
Os recursos desviados teriam abastecido o patrimônio pessoal de integrantes do esquema, notadamente o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e seus familiares.
Inicialmente conduzido pela Justiça Federal de primeira instância, o caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) em razão da possibilidade de envolvimento de pessoas com foro privilegiado. O ministro-relator Dias Toffoli autorizou as diligências realizadas nesta semana.
Toffoli, entretanto, passou a ser questionado após viagem em aeronave particular com um dos advogados das partes, dias antes de decretar sigilo absoluto sobre o processo.
Em paralelo, o Tribunal de Contas da União (TCU) acompanha o desenrolar do caso e estuda abrir inspeção para avaliar os procedimentos adotados pelo Banco Central ao decretar a liquidação da Reag e, por consequência, os desdobramentos sobre o Banco Master.
Com informações de Agência Brasil




