O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta quinta-feira, 12 de março de 2026, uma redução nas taxas de juros de financiamentos destinados a mulheres associadas a cooperativas de crédito. A medida passa a vigorar em abril e busca tornar o crédito mais acessível para esse público.

Segundo o banco, a diminuição ocorrerá pelo corte do spread — a margem entre o custo de captação do BNDES e a taxa repassada às tomadoras. Para cooperadas das regiões Norte e Nordeste, a remuneração do banco cairá de 0,85% para 0,50% ao ano. Nas demais regiões do país, a taxa será reduzida de 1,25% para 0,85% ao ano.

Prazos ampliados

Além do barateamento, o BNDES informou que o prazo para pagamento dos financiamentos será estendido: de 12 para até 15 anos, com carência de dois anos antes do início da amortização. A instituição afirma que a combinação entre parcelas menores e prazos mais longos deve aumentar a capacidade de acesso ao crédito.

O anúncio foi feito na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, em evento que marcou o Dia Internacional da Mulher, comemorado no domingo anterior, 8 de março.

Participação feminina nas cooperativas

O banco destacou que as cooperativas de crédito reúnem cerca de 20 milhões de associados, dos quais aproximadamente 44,5% são mulheres. No atual programa de financiamentos via cooperativas, pouco mais de 27% das operações são contratadas por mulheres.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o fortalecimento do cooperativismo é prioridade e ressaltou a relevância da ampliação do acesso das mulheres ao crédito, especialmente para aquelas responsáveis por pequenos negócios ou propriedades rurais.

Volume de crédito e limites

Desde 2023, o BNDES alterou regras do programa de financiamento por cooperativas, incluindo o aumento do teto por operação de R$ 30 mil para até R$ 100 mil. Entre 2023 e 2025, os recursos repassados por bancos e cooperativas de crédito com origem no BNDES somaram R$ 99,5 bilhões.

Maria Fernanda Coelho, diretora de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas do BNDES, classificou o cooperativismo de crédito como instrumento importante para inclusão financeira e desenvolvimento regional, e disse que condições melhores para mulheres devem estimular mais empreendedoras a buscar financiamento e fortalecer suas cooperativas.

Outras iniciativas

O banco também anunciou a liberação de até R$ 80 milhões ao programa BNDES Periferias, destinado a apoiar organizações e instituições sem fins lucrativos que ofereçam formação, capacitação em gestão, mentorias e facilitem acesso a redes de mercado e capital para mulheres em áreas periféricas. O programa incluirá incentivos a iniciativas ligadas ao chamado “trabalho de cuidado”, como serviços de atenção domiciliar, lavanderias coletivas e cozinhas comunitárias.

Financiamento para segurança

Outra linha anunciada prevê recursos para estados e municípios que desenvolvam políticas públicas de proteção à mulher, como construção de delegacias especializadas, reforço de patrulhas Maria da Penha e melhoria da iluminação pública. O financiamento poderá cobrir até 90% do custo dos projetos, com prazo total de até 24 anos.

A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, afirmou que as ações são direcionadas a reduzir fatores que mantêm a violência contra mulheres e ressaltou a importância de respostas integradas envolvendo prevenção, proteção e autonomia econômica.

Pacto

No evento, o presidente do BNDES assinou uma carta de adesão ao Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, reafirmando o compromisso institucional com a igualdade de gênero e o enfrentamento da violência contra as mulheres.

Com informações de Agência Brasil