O Banco de Brasília (BRB) negou qualquer possibilidade de intervenção administrativa e informou que possui recursos suficientes para enfrentar os desdobramentos das investigações que envolvem o Banco Master. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (19), a instituição estadual também sinalizou que estuda a alienação de ativos recuperados do Master para reforçar sua liquidez.
O pronunciamento do BRB ocorre após veiculações de imprensa sobre uma suposta necessidade imediata de aporte de capital no banco do Distrito Federal. Segundo o BRB, qualquer medida adicional de capitalização dependerá do resultado de auditorias independentes e da análise do Banco Central do Brasil.
Esclarecimento da Fazenda
Também nesta segunda, o Ministério da Fazenda emitiu nota desmentindo que o ministro Fernando Haddad tenha tratado com autoridades locais ou com a diretoria do BRB sobre urgência em socorro financeiro ao banco. A pasta ressaltou que não há negociação para aporte emergencial nem risco iminente de intervenção por parte do governo federal.
Auditorias e divulgação de balanço
O BRB informou que as perdas potenciais relacionadas ao caso Master ainda estão sendo calculadas por auditorias externas e pela equipe técnica do Banco Central. Em razão disso, o banco optou por não divulgar o balanço referente ao terceiro trimestre de 2025, mantendo em sigilo os dados completos de sua situação financeira.
De acordo com o comunicado, todas as operações ligadas às carteiras do Master estão sob investigação forense conduzida por um escritório independente e acompanhada por autoridades regulatórias. O BRB enfatizou que segue operando normalmente e alertou que qualquer número publicado de forma não oficial constitui mera especulação.
Impacto das operações com o Master
O BRB sofreu diretamente os efeitos da crise do Banco Master, investigado por suspeitas de fraudes em carteiras de crédito. Relatórios do Banco Central encaminhados ao Ministério Público indicam que o banco público adquiriu R$ 12,2 bilhões em ativos posteriormente classificados como irregulares, além de aportes de mais de R$ 5 bilhões por meio de compra de cotas de fundos de investimento.
A atual gestão, empossada após a troca de comando em 2025, tem trabalhado para dimensionar o impacto dessas operações realizadas ao longo de 2024 e 2025.
Limites prudenciais e plano de ação
Em razão das transações com o Master, o BRB ficou descumprindo limites prudenciais estipulados pelo Banco Central em janeiro e fevereiro de 2025. Como contrapartida, o regulador restringiu novas aquisições de ativos financeiros e requisitou a apresentação de um plano de adequação em até seis meses, contados a partir de outubro do ano passado.
O banco ressaltou que, se necessário, o acionista controlador – o Governo do Distrito Federal – dispõe de medidas para reforçar o capital da instituição, sem comprometer recursos destinados a políticas públicas. Até o momento, não há exigência formal do Banco Central para aporte imediato.
O BRB afirma que continuará acompanhando os desdobramentos das auditorias e ações regulatórias e que manterá seus clientes e o mercado informados de forma transparente.
Com informações de Agência Brasil



