Levantamento do Observatório da Caatinga e Desertificação (OCA) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) indica que o bioma Caatinga foi responsável por 38% das remoções de gases de efeito estufa no Brasil em 2022. O cálculo foi feito com base no inventário Clima TRACE, que compila dados internacionais sobre emissões e remoções de gases e outras variáveis ambientais.
Dados e comparação entre biomas
Segundo o inventário, em 2022 a Caatinga retirou 410 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera. O valor coloca o bioma à frente da Mata Atlântica, que teriu remoções de 320 milhões de toneladas, e do Cerrado, com 240 milhões de toneladas.
Por que a Caatinga é eficiente
Pesquisadores do OCA apontam que características próprias da Caatinga aumentam a eficiência na absorção do CO₂. Durante a fotossíntese, o bioma converte cerca de 60% do carbono absorvido em biomassa, incorporando o resíduo em folhas, galhos, troncos e raízes. No caso da Amazônia, por exemplo, esse percentual é estimado em aproximadamente 30%, devido à maior respiração do ecossistema que devolve mais carbono à atmosfera.
Outra particularidade destacada é a resposta rápida às chuvas após períodos de seca. Segundo os pesquisadores, poucos dias de chuva podem reativar a fotossíntese e transformar o bioma em um sumidouro intenso de CO₂, retirando mais dióxido de carbono do que libera. A ciência reconhece que ecossistemas semiáridos influenciam significativamente a variação anual do ciclo global do carbono.
Mercado de carbono e desafios
Pesquisadores do observatório afirmam que o avanço depende de novas tecnologias e metodologias de medição que reflitam a dinâmica específica da Caatinga, além de mecanismos que facilitem o acesso à certificação por comunidades e pequenos produtores. O OCA tem contribuído com propostas em consultas públicas relacionadas ao tema.
Como funciona o mercado de carbono
Impacto socioeconômico
A matéria foi publicada sob supervisão de Bruna Couto.
Com informações de G1



