A Câmara Municipal de João Pessoa aprovou, por unanimidade, um voto de repúdio ao cantor Ed Motta relacionado a uma confusão ocorrida na semana passada em um restaurante no Rio de Janeiro. O documento condena expressões de caráter preconceituoso e xenófobo dirigidas ao povo paraibano, após o artista ter se referido a um barman do estabelecimento com ofensas.
O requerimento que originou o voto foi apresentado pelo presidente da Casa, Dinho (MDB), e apreciado na manhã desta quinta-feira (14). Na sessão, vereadores classificaram a conduta como inaceitável e prejudicial à imagem do Estado. O parlamentar Raoni Mendes (PSD) defendeu a moção com um discurso em que reafirmou o orgulho pela Paraíba e repudiou o uso pejorativo do termo “paraíba”.
“A Paraíba é terra de gente trabalhadora, honesta, criativa, acolhedora. Um Estado que orgulha o Brasil pela sua história, cultura e pela força do seu povo. Não aceitaremos que expressões preconceituosas sejam tratadas como algo normal e irrelevante. Quando alguém utiliza o termo ‘paraíba’ de forma pejorativa, agride a mim e a milhões de nordestinos, que diariamente ajudam a construir o país com trabalho e dignidade. O Brasil precisa aprender a respeitar o Nordeste”, afirmou Raoni Mendes (PSD) durante a sessão.
Além do autor do requerimento e do vereador Raoni, outros parlamentares de diferentes bancadas também apoiaram a propositura, entre eles Jailma Carvalho (PSB), Eliza Virgínia (PP), Odon Bezerra (PSB), Marcos Henriques (PT), Mikika Leitão (MDB), Mô Lima (PP), Guguinha Moov Jampa (PSD) e Milanez Neto (MDB).
Entenda o caso Ed Motta
O episódio teve início em razão da cobrança de taxa de rolha no restaurante. Segundo relatos colhidos pela polícia, o barman explicou que Ed Motta costumava não pagar a taxa quando frequentava o local sozinho ou apenas com a esposa, mas que, por haver mais seis pessoas na mesa no dia do desentendimento, a cobrança foi aplicada, o que teria irritado o músico. Funcionários do estabelecimento prestaram depoimento confirmando a versão do barman.
De acordo com os relatos, um dos acompanhantes de Ed, identificado como Nicholas Guedes Coppim, teria feito uma pergunta sarcástica ao funcionário: “Você gosta de mulher ?”, provocando constrangimento. Em sequência, o cantor teria feito observações e xingamentos, incluindo frases como: “Olha, o babaca está rindo. Nunca vi esse babaca rindo. Está sempre de mal com a vida, esse paraíba”, e ainda “Vou embora antes que eu faça alguma coisa com um desses paraíbas” e “Vai tomar no c* seu filho da put* paraíba”.
O conflito escalou e passou a envolver pessoas de uma mesa vizinha; imagens e depoimentos apontam que uma pessoa dessa mesa foi agredida com uma garrafada e um soco. A investigação está sob responsabilidade da Polícia Civil do Rio de Janeiro, na 15ª DP, na Gávea. A apuração busca esclarecer dois possíveis crimes: lesão corporal contra um frequentador da mesa ao lado — em que Ed Motta figura como testemunha — e injúria por preconceito, em que ele é apontado como autor.
A defesa de Ed Motta negou que ele tenha praticado agressão e afirmou ao programa Fantástico que o cantor deixou o estabelecimento incomodado com o atendimento.
Com informações de Jornaldaparaiba



