Candidatos ao Senado pela Paraíba se pronunciaram publicamente após a divulgação de mensagens atribuídas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em um relatório da Polícia Federal que envolveria trocas com o banqueiro Daniel Vorcaro.

As manifestações ocorreram nas redes sociais e em entrevistas, logo após a circulação das conversas atribuídas a Moraes. Três postulantes — André Gadelha (MDB), Marcelo Queiroga (PL) e Major Fábio (NOVO) — defenderam investigações mais aprofundadas e, em alguns casos, o impeachment do ministro. Outros candidatos consultados até a publicação não haviam se manifestado.

André Gadelha (MDB)

Em entrevista à TV Cabo Branco na quarta-feira (02), o candidato do MDB afirmou que teria solicitado o afastamento do ministro há mais tempo e criticou o contrato milionário firmado entre o banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes. Gadelha disse que o Senado precisa agir com mais firmeza, comparando a situação com tratamentos aplicados a políticos em casos de menor gravidade.

Marcelo Queiroga (PL)

Em postagem nas redes sociais, o candidato do PL afirmou que escândalos como o relatado demonstram a necessidade de um Senado independente. Queiroga acrescentou que já tinha posição favorável ao impeachment de ministros e que a democracia estaria comprometida por episódios atribuídos a autoridades que, segundo ele, agem como se fossem donas do país.

Major Fábio (NOVO)

Durante ato na Praça da Independência, em João Pessoa, o candidato do Novo gravou um vídeo no qual declarou que ninguém está acima da Constituição e defendeu o afastamento imediato do ministro. Segundo a assessoria do candidato, a manifestação contou com a presença de alguns eleitores que apoiam a iniciativa.

Até a publicação desta reportagem, João Azevêdo (PSB), Nabor Wanderley (Republicanos) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB) não haviam divulgado posicionamentos públicos sobre o caso.

Procedimento constitucional e pedidos de impeachment

A Constituição Federal atribui ao Senado o processo e o julgamento de ministros do STF por crimes de responsabilidade, definidos na Lei nº 1.079/1950, a chamada Lei do Impeachment. A norma prevê que qualquer cidadão, parlamentar ou não, pode apresentar denúncia contra ministros por esses crimes.

Atualmente, há 109 pedidos de impeachment de ministros aguardando análise no Senado. Mais da metade dessas solicitações são dirigidas ao ministro Alexandre de Moraes. O pedido mais recente foi protocolado na terça-feira (01) pelo líder da oposição, o deputado paraibano Cabo Gilberto (PL).

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou ser anormal o elevado número de pedidos de investigação que chegaram à Casa, sem comentar os diálogos divulgados entre Vorcaro e o contato atribuído a Moraes.

A repercussão do caso aumentou após o ministro André Mendonça determinar a retirada do sigilo dos autos que reúnem informações sobre Daniel Vorcaro e as mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, classificou o episódio como de “especial gravidade” e informou que medidas cabíveis serão anunciadas nos próximos dias.

Com informações de Jornaldaparaiba