O total de mulheres inscritas para a Câmara dos Deputados nas eleições de 2026 teve queda de 24% em relação a 2022, passando de 3.717 candidaturas para 2.820.

Apesar da redução no número absoluto de inscritas, a presença feminina entre os concorrentes a deputado federal aumentou em termos proporcionais, subindo de 35% nas eleições anteriores para 36,7% em 2026.

No pleito majoritário, nenhum dos partidos com representação no Congresso Nacional lançou mulheres em suas chapas presidenciais. Para os cargos de governador e do Distrito Federal, 34 mulheres disputam as vagas entre um total de 198 candidaturas, contra 38 concorrentes femininas registrados em 2022.

Em nível de eleitorado, as mulheres representam 52% dos eleitores brasileiros, mas ocupam aproximadamente 18% das cadeiras no Congresso Nacional. A legislação vigente prevê cota de 30% para candidaturas e também regras sobre repasses de recursos partidários, que nem sempre se traduzem em maior representação parlamentar.

Estudo

Um levantamento do Instituto Esfera aponta a necessidade de ampliar o acesso das mulheres aos recursos do Fundo Partidário e de adotar mecanismos de reserva de vagas como forma de aumentar a representação feminina. A pesquisadora Daniela Matos aponta que países como México e Bolívia chegaram perto da paridade no Legislativo após implementarem modelos com reserva de assentos.

O estudo ressalta ainda que o Brasil tem a menor representação feminina na política entre os países da América Latina.

Do total de 20.719 candidaturas registradas para todos os cargos nas eleições de 2026, 35% correspondem a mulheres, ante 34% observados em 2022. O levantamento do Instituto Esfera também mostra que, entre 1998 e 2022, o número de candidatas à Câmara dos Deputados aumentou 925%, enquanto o total de deputadas efetivamente eleitas cresceu 210% no mesmo intervalo.

Daniela Matos destaca a falta de fiscalização sobre a distribuição dos recursos partidários como um entrave: o mecanismo de cotas assegura a inscrição de mulheres, mas não garante condições financeiras e logísticas suficientes para que sejam eleitas. Ela também cita fatores sociais que dificultam a participação feminina na política, como a sobrecarga com tarefas domésticas e a rotina partidária, que exige disponibilidade à noite e nos fins de semana.

Polêmica Paraíba com Agência Câmara de Notícias

Com informações de Polemicaparaiba