O aumento da presença do caracol-gigante-africano em áreas urbanas, sobretudo no período de chuvas, acende um alerta sobre os riscos à saúde pública e a necessidade de práticas de manejo seguras. A informação correta é apontada como peça-chave para evitar acidentes e danos ambientais, segundo o biólogo Francisco José Pegado Abílio, professor do Departamento de Metodologia da Educação do Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
De acordo com o pesquisador, a desinformação leva ao erro de eliminar moluscos nativos, alguns em risco de extinção, por confundirem as espécies. Ele defende ações educativas em escolas e na mídia para orientar a população sobre a identificação correta do caracol-gigante-africano, termo que a literatura científica recomenda usar — diferente de “caramujo”, que designa moluscos de água doce.
Como controlar a espécie
O biólogo alerta que métodos caseiros como sal, cal, detergente ou outros produtos químicos não são recomendados. Essas substâncias podem contaminar o solo e não garantem a eliminação total dos animais, já que alguns exemplares podem sobreviver ao tratamento.
A orientação oficial é recolher os caracóis com luvas ou utilizando um saco plástico, evitando contato direto. Após a captura, os animais devem ser colocados em um recipiente e incinerados conforme as instruções de manejo adotadas por órgãos públicos de controle.
O caracol-gigante-africano é considerado uma espécie exótica invasora e foi introduzido no Brasil com finalidade de criação para consumo (escargot). Atualmente, sua comercialização, transporte e cultivo são proibidos. A espécie tem alta capacidade reprodutiva: é hermafrodita, pode realizar autofecundação em certas condições e chegar a produzir mais de 300 ovos por ano, o que facilita sua rápida disseminação. Segundo o pesquisador, a espécie já está presente em praticamente todo o território brasileiro.
Riscos à saúde
O principal perigo associado ao caracol-gigante-africano é a transmissão da angiostrongilíase, causada por vermes que podem ter o molusco como hospedeiro. A doença pode ocorrer em forma abdominal, provocando lesões no intestino e no peritônio, ou em forma meningoencefálica, afetando o sistema nervoso central e podendo evoluir para um quadro semelhante à meningite.
As infecções podem causar complicações graves, incluindo paralisia e, em casos extremos, morte. O Brasil já registrou casos confirmados da doença, com óbitos em estados como Rio de Janeiro e Minas Gerais, além da detecção de caracóis naturalmente infectados em várias regiões do país.
Prevenção e cuidados
O risco de contaminação decorre do muco deixado pelo molusco durante o deslocamento, que pode conter os parasitas. Por isso, é recomendável evitar qualquer contato direto com o animal, não deixar crianças manusearem os caracóis e impedir que eles passem sobre a pele. Se for necessário recolher os indivíduos, usar equipamentos de proteção, como luvas ou sacos plásticos, e higienizar as mãos após a manipulação.
O aumento de avistamentos durante o período chuvoso acontece porque os caracóis permanecem enterrados ou ocultos sob folhas, pedras e telhas; com o solo encharcado eles emergem e tornam-se mais visíveis. O enfrentamento da invasão depende de educação ambiental, identificação correta da espécie e adoção de práticas de manejo que não causem novos impactos ao meio ambiente nem coloquem a população em risco.
Com informações de Jornaldaparaiba




