O cineasta norte-americano David Lynch morreu em janeiro de 2025, aos 78 anos, apenas quatro dias antes de completar 79. Fumante desde a infância, o diretor sofria de enfisema pulmonar, segundo informações divulgadas à época da morte.
Nascido em 20 de janeiro de 1946, Lynch tornou-se referência mundial pelo estilo singular, marcado por imagens oníricas, violência latente e narrativas não lineares. A filmografia autoral começou com Eraserhead (1977) e ganhou projeção global com O Homem Elefante (1980), obra indicada ao Oscar que consolidou seu nome entre os realizadores de cinema de linguagem experimental.
Em 1984, o diretor lançou Duna, adaptação do romance de Frank Herbert que fracassou nas bilheterias. Dois anos depois, recuperou o prestígio com Veludo Azul (Blue Velvet), filme apontado por críticos como um dos pontos máximos do cinema dos anos 1980.
Coração Selvagem (Wild at Heart, 1990) rendeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes. No longa, o personagem Sailor, interpretado por Nicolas Cage, chega a cantar “Love Me”, de Elvis Presley, para a parceira vivida por Laura Dern. Ainda nos anos 1990, Lynch criou a série televisiva Twin Peaks, que redefiniu formatos dramáticos na TV aberta — no Brasil, foi exibida pela Rede Globo nas madrugadas de domingo. O universo da série chegou ao cinema em 1992 com Twin Peaks: Fire Walk With Me, distribuído no país como Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer. Embora inicialmente mal recebido, o filme foi reavaliado positivamente com o passar do tempo.
Entre outros títulos marcantes estão Estrada Perdida (Lost Highway, 1997) e Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive, 2001), considerado por especialistas uma das grandes obras do século XXI. Em 2014, o cineasta voltou ao universo de Twin Peaks com Twin Peaks: The Missing Pieces. Do primeiro longa, em 1977, até esse lançamento, passaram-se 37 anos, período em que Lynch dirigiu apenas 11 filmes, perfil que o coloca ao lado de nomes como Stanley Kubrick e Quentin Tarantino — cineastas de produção enxuta, porém decisiva para a história do cinema.
Fora das câmeras, Lynch também atuou. Em 2022, deu vida ao lendário diretor John Ford em Os Fabelmans, filme autobiográfico de Steven Spielberg. A participação, descrita como fiel ao temperamento ranzinza e autoritário de Ford, virou um tributo duplo: ao próprio Ford e ao legado de Lynch.
Com a morte em 2025, o cinema perde um autor cujo trabalho permanece como referência de inventividade e ousadia estética.
Com informações de Jornaldaparaiba



