Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, afirmou que o combate ao crime organizado precisa ser colocado entre as principais prioridades nas eleições de 2026. Em entrevista à CBN Paraíba, na quarta-feira (22), ela defendeu que a ação contra as facções vá além da repressão policial e atinja a estrutura financeira que sustenta essas organizações.
Segundo Carolina, o objetivo central deve ser “asfixiar o crime organizado, rastrear suas armas e garantir a presença do Estado nos territórios dominados pelas facções”. Ela ressaltou a necessidade de abandonar a visão de que o problema se resume ao traficante armado: essas organizações se fortalecem por meio de esquemas de lavagem de dinheiro e uso de mercados legais para ocultar recursos ilícitos.
Para a diretora, é fundamental seguir o dinheiro e atuar sobre setores que servem de fachada para recursos ilegais, citando combustíveis, mineração e outros mercados como exemplos de pontos que precisam ser investigados e regulados. Além disso, Carolina apontou que, embora haja esforço pela apreensão de armas em flagrante, faltam investimentos suficientes em investigações capazes de identificar a origem das armas e interromper seu fluxo para as facções.
Avanço na elucidação de homicídios na Paraíba
No mesmo dia da entrevista, o Instituto Sou da Paz divulgou estudo mostrando avanço na solução de homicídios na Paraíba: a taxa de elucidação passou de 35% para 59% entre 2020 e 2024. O levantamento atribui essa melhora à adoção de indicadores de desempenho, à criação de núcleos especializados de investigação, à digitalização de processos e ao fortalecimento da Polícia Civil.
O instituto também elaborou uma agenda de propostas destinada a orientar candidatos e eleitores sobre prioridades em segurança pública para as eleições de 2026. O material tem a finalidade de subsidiar programas de governo e indicar aos eleitores quais compromissos cobrar dos futuros gestores na área de segurança.
A diretora reforçou que medidas integradas, que envolvam rastreamento financeiro, investigação da origem de armamentos e presença estatal em áreas dominadas por facções, são essenciais para reduzir tanto a violência letal quanto a capacidade operacional dessas organizações.
Com informações de Jornaldaparaiba




