Comerciantes do entorno do Mercado Central promoveram, na manhã desta quinta-feira (30), um ato que interrompeu o tráfego na área central de João Pessoa. O protesto ocorreu na Rua Rodrigues de Carvalho, no cruzamento com a Avenida Pedro II, e deixou as vias totalmente interditadas após a montagem de barricadas e a queima de pneus e pedaços de madeira.

Segundo relatos, a manifestação foi motivada pela retirada dos pontos comerciais para viabilizar obras de requalificação do Mercado Central. Moradores e trabalhadores afirmam que ocupavam o terreno onde está prevista a construção de uma garagem ligada ao projeto de reforma.

A Prefeitura de João Pessoa foi procurada pelo g1 para comentar a realocação dos comerciantes, mas não havia se manifestado até a última atualização da reportagem. A Polícia Militar e a Guarda Municipal foram acionadas para acompanhar a ocorrência no local.

O processo de requalificação do Mercado Central teve a ordem de serviço assinada em dezembro de 2025 pelo prefeito Cícero Lucena. O projeto prevê ampliação do espaço com investimento estimado em R$ 31,9 milhões e prazo de conclusão até o fim de 2027.

Comerciantes presentes ao protesto informaram que receberam aviso de desocupação com prazo de 72 horas, sem indicação de um ponto alternativo para o exercício das atividades. Elisabeth Araújo, proprietária de um bar na área afetada, relatou que os fiscais comunicaram o prazo para saída, mas não apresentaram local de reassentamento. Ela também afirmou que arca com aluguel e tem uma filha, e que a categoria busca apenas manter seu sustento por meio do trabalho.

As interdições causaram bloqueio total do trânsito na região do Mercado Central durante os atos. Não foram divulgados números sobre prisões ou feridos em decorrência do protesto até a última atualização. As autoridades municipais ainda não detalharam medidas de relocação para os comerciantes afetados.

O protesto ressaltou a tensão entre a execução do projeto de reforma e a situação dos trabalhadores que ocupavam áreas que serão utilizadas nas intervenções previstas.

Com informações de G1