Comerciantes na orla do Açude Velho, em Campina Grande, relatam prejuízos significativos após o aparecimento de milhares de peixes mortos no reservatório. Desde domingo (11), as equipes da Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma) já removeram mais de 10 toneladas de carcaças, enquanto os lojistas enfrentam queda drástica no fluxo de clientes em torno do principal cartão-postal da cidade.

Emanuel Laury, que mantém um ponto comercial familiar com 60 anos de tradição, conta que o odor e a poluição afugentaram consumidores. “O movimento caiu cerca de 80% desde que a mortandade começou. Estamos trabalhando mais por necessidade do que por escolha”, afirmou ele. O empresário destaca que as vendas passaram a depender do sistema de delivery para amenizar as perdas.

A rotina de limpeza intensa e o mau cheiro constante trouxeram ainda mais insetos ao local, segundo Laury. “Antes fazíamos dedetização quinzenal, agora é preciso duas vezes por semana”, comentou.

Outra comerciante afetada, Andreza Katia, disse que o odor impede frequentadores de pararem para consumir alimentos. “Quem vinha para tomar água de coco ou café não suporta o cheiro. Preciso manter funcionários e pagar contas, mas a clientela desapareceu”, relatou. Ela reconheceu o trabalho dos mais de 60 servidores da Sesuma na remoção diária das carcaças e espera normalização rápida das condições.

Nas proximidades, o Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP), o “Museu dos Três Pandeiros”, segue aberto ao público, segundo a direção da UEPB, mas o número de visitantes será monitorado. Já o Sesi Museu Digital permanece fechado para manutenção e só reabrirá após avaliação das condições de visitação.

O secretário Dorgival Vilar informou que a operação conta com mais de 60 trabalhadores e envolve a aplicação de aeradores para oxigenar a água e reduzir novas mortes. Os peixes coletados estão sendo destinados a um aterro sanitário.

As investigações do caso envolvem a Polícia Civil, responsável por apurar possível crime ambiental, e o Ministério Público da Paraíba (MPPB), que investiga desde 11 de novembro o despejo irregular de esgoto no reservatório. A Defensoria Pública da Paraíba (DPE-PB) também acompanha o desdobramento da situação. Amostras de água e de peixes foram encaminhadas ao Instituto de Polícia Científica, mas não há prazo para conclusão dos laudos.

Moradores e trabalhadores locais aguardam que as medidas emergenciais revertam o quadro de poluição e restabeleçam as atividades ao redor do açude.

Com informações de G1