A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) calcula que a Black Friday marcada para a próxima sexta-feira, 28 de novembro, deve colocar R$ 5,4 bilhões nos caixas do varejo brasileiro ao longo de todo o mês. O valor, já descontada a inflação, representa avanço real de 2,4% em comparação com os R$ 5,27 bilhões obtidos em 2024.
Segundo o economista-chefe da entidade, Fabio Bentes, o levantamento considera o impacto das promoções durante novembro inteiro, característica peculiar da Black Friday no país. No calendário comercial, a data aparece como a quinta mais relevante, atrás apenas de Natal, Dia das Mães, Dia das Crianças e Dia dos Pais.
Segmentos mais beneficiados
A projeção da CNC detalha quanto cada ramo pode ganhar:
- Hiper e supermercados: R$ 1,32 bilhão
- Eletroeletrônicos e utilidades domésticas: R$ 1,24 bilhão
- Móveis e eletrodomésticos: R$ 1,15 bilhão
- Vestuário, calçados e acessórios: R$ 950 milhões
- Farmácias, perfumarias e cosméticos: R$ 380 milhões
- Livrarias, papelarias, informática e comunicação: R$ 360 milhões
Por que as vendas devem crescer
A confederação atribui o desempenho recorde a fatores como a desvalorização do dólar, que barateia produtos importados, a queda no ritmo da inflação e a melhora do mercado de trabalho. A taxa de desemprego ficou em 5,6% no trimestre encerrado em setembro, o menor nível da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2002.
Mesmo com o cenário favorável, dois obstáculos limitam um avanço ainda maior: juros elevados e endividamento das famílias. Dados do Banco Central mostram taxa média de 58,3% ao ano nas operações de crédito livre para pessoas físicas – maior patamar para o período desde 2017. Já a CNC aponta que 30,5% dos lares apresentam contas em atraso. A concorrência de sites estrangeiros, cada vez mais acessados pelos consumidores, também pressiona o varejo nacional.
Tendência de descontos
Para medir a disposição de queda nos preços, a CNC monitorou diariamente 150 itens de 30 categorias. Em 70% delas foi identificado “potencial elevado de redução”, conceito aplicado quando o valor do produto recua mais de 5% antes mesmo do pico das promoções.
As maiores reduções de preço foram observadas em:
- Papelaria: 10,14%
- Livros: 9,02%
- Joias e bijuterias: 9,01%
- Perfumaria: 8,20%
- Utilidades domésticas: 8,18%
- Higiene pessoal: 8,11%
- Moda: 7,82%
R$ 1,52 bilhão em 2010
Quando a Black Friday despontou no país, em 2010, o faturamento estimado foi de R$ 1,52 bilhão. Naquele momento, apenas lojas de móveis, eletrodomésticos, livrarias, papelarias, utilidades domésticas e eletroeletrônicos aderiam à ação promocional inspirada no pós-Ação de Graças norte-americano.
Orientações de segurança
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) divulgou um guia com recomendações para evitar fraudes:
- Desconfie de promoções muito agressivas e acompanhe o histórico de preços.
- Verifique a reputação da loja em sites de reclamações.
- Confirme prazos de entrega e regras de reembolso antes de concluir a compra.
- Dê preferência a páginas que começam com “https” e exibem cadeado de segurança.
- Lembre-se do direito de arrependimento: compras on-line podem ser canceladas em até sete dias.
- Denúncias podem ser registradas no portal consumidor.gov.br ou no Procon local.
Levantamento do site Reclame Aqui indica que 63% dos consumidores ainda têm dificuldade para reconhecer golpes elaborados com uso de inteligência artificial. O escritório Baptista Luz Advogados sugere atenção a sinais como vídeos com sincronia imperfeita, perfis recém-criados em redes sociais ou mensagens excessivamente formais.
Com informações de Agência Brasil


