O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Piancó-Piranhas-Açu, Ricardo Ramalho Lins, afirmou que um plano de gestão deverá estabelecer critérios técnicos para a distribuição das águas trazidas pela Transposição do Rio São Francisco. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Olho Vivo, da TV e Rede Diário do Sertão.
Ramalho explicou que, embora a Transposição tenha sido projetada originalmente para reforçar a segurança hídrica e o abastecimento humano, o volume de água também pode ser utilizado para fomentar atividades econômicas nas regiões atendidas. Segundo ele, a definição de prioridades e regras de uso exige estudos técnicos detalhados.
O dirigente informou que o trabalho está sendo discutido com a Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado (AESA). Em parceria com o Banco Mundial, a AESA contratou uma empresa responsável pela elaboração do projeto que vai subsidiar o plano de gestão.
O estudo em elaboração terá como objetivo identificar as necessidades hídricas de cada sistema e de cada região da Paraíba, levando em conta fatores como demanda instalada, climatologia e o regime de chuvas. Esses dados servirão para determinar onde e como o recurso será empregado, segundo Ramalho.
Entre as preocupações apontadas está a garantia de funcionamento contínuo de sistemas produtivos e a prevenção de danos sociais e econômicos. O presidente citou o perímetro irrigado de São Gonçalo, que emprega mais de 200 famílias, além de comunidades ribeirinhas e áreas agrícolas que dependem diretamente da água, em especial a agricultura familiar.
Ramalho ressaltou que grande parte dos usuários beneficiados pela Transposição vive da produção em regime de economia familiar e, por isso, a distribuição precisa considerar usos múltiplos e necessidades locais.
Quanto à parcela destinada à Paraíba, o presidente do Comitê afirmou que o estado recebe parte do volume disponibilizado pela Transposição — que é compartilhado com Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte — e tem direito a aproximadamente 180 milhões de metros cúbicos.
O desafio apontado por ele é estabelecer, de forma técnica, os locais e os fins aos quais esse recurso será aplicado. O plano de gestão, conforme explicado, deverá definir critérios técnicos baseados nas demandas já existentes nas diferentes regiões, com o objetivo de garantir abastecimento durante todo o ano e equilibrar usos como consumo humano, irrigação e atividades produtivas.
Com informações de Diariodosertao




