Sistema regula captação e armazenamento em episódios de chuva
Em meio ao período chuvoso no Nordeste, o funcionamento da Transposição do Rio São Francisco é ajustado para responder tanto a cheias quanto a secas, afirmou o engenheiro civil Fernando Figueiredo. O especialista, colunista do Diário de Obras e participante do programa Olho Vivo, da Rede Diário do Sertão, explicou que o projeto não opera de modo contínuo e automático, mas sim por controle operacional conforme a disponibilidade hídrica local.
Segundo Figueiredo, quando os rios e reservatórios da região estão com nível adequado devido às precipitações, o fluxo de água proveniente da transposição pode ser reduzido ou interrompido. A parada temporária ocorre por meio do fechamento de comportas na origem do sistema, de modo que o volume do São Francisco segue seu curso natural sem ser desviado para os canais.
Reservatórios de estabilização mantêm o abastecimento
Um elemento central do empreendimento são os reservatórios de estabilização distribuídos ao longo das obras. Essas estruturas armazenam água para que o abastecimento das áreas beneficiadas não seja comprometido quando a captação pela transposição é suspensa. Exemplos citados pelo engenheiro incluem o Reservatório Boa Vista, na Paraíba, e a Barragem do Jati, no Ceará — ambas consideradas de grande porte e com papel relevante na regulação do fluxo.
Figueiredo detalhou que, com o canal desligado em períodos de chuva intensa, as comportas na origem são acionadas para conter o desvio, enquanto os reservatórios locais garantem a continuidade do fornecimento. Na outra ponta do cenário hídrico, em períodos de estiagem, a transposição é acionada com mais intensidade para reforçar a segurança hídrica do semiárido.
Em síntese, o sistema da transposição foi pensado para se adaptar às diferentes condições climáticas: operar mais vigorosamente diante da seca e reduzir ou suspender o desvio de água quando a pluviosidade local torna desnecessário o aporte adicional.
Com informações de Diariodosertao



