Especialistas recomendam planejar a preparação para o Enem 2026 de forma a equilibrar horas de estudo com descanso, sono e momentos de lazer. O médico do sono Arthur Trindade e a psicopedagoga Luana Ribeiro explicam como organizar a rotina sem prejudicar a saúde nem a retenção de conteúdo.

Quanto dormir

Segundo Arthur Trindade, adolescentes e adultos jovens devem manter média de 7 a 9 horas de sono por noite. O especialista afirma que o sono profundo favorece a transferência de informações da memória de curta duração para a de longo prazo, processo importante para fixar o que foi estudado. Dormir menos que o recomendado reduz atenção, aumenta fadiga mental e compromete a resolução de questões exigentes.

Protegendo o horário de dormir

Trindade recomenda definir um limite para os estudos e reservar tempo para preparar o corpo e a mente antes de deitar. Ele sugere interromper as atividades de estudo pelo menos uma hora antes de dormir, evitar telas nesse período e adotar práticas relaxantes, como meditação ou mindfulness. Durante o dia, estudos em blocos intercalados por pausas e cochilos curtos de cerca de 20 minutos podem ajudar na aprendizagem; à noite, o foco deve ser o sono contínuo.

Noite ou manhã: depende do cronotipo

Escolher estudar até mais tarde ou acordar cedo depende do cronotipo individual. Pessoas vespertinas costumam render mais estudando à noite, enquanto os matutinos se beneficiam em acordar cedo. Independentemente da preferência, Trindade reforça a importância de manter a quantidade necessária de sono para otimizar o rendimento.

Sinais de excesso nos estudos

Luana Ribeiro alerta que dedicar mais horas aos estudos e, ao mesmo tempo, render menos é um indício de sobrecarga. Erros repetidos, dificuldade para recuperar conteúdos, baixo desempenho em simulados, cansaço persistente, dores de cabeça, alterações no sono, irritabilidade, ansiedade e desânimo são sinais de que a rotina precisa ser revista. A psicopedagoga também destaca que sentir culpa ao descansar indica necessidade de reavaliar a programação; o descanso integra uma rotina de aprendizagem saudável.

Montando um cronograma

Ribeiro orienta que o cronograma parta da rotina existente, considerando compromissos como escola, trabalho, sono e alimentação. Cada bloco de estudo deve ter objetivo definido — aprender um conteúdo, revisar ou resolver número determinado de questões — e o plano precisa prever intervalos e margem para imprevistos. Variar métodos, alternando resolução de questões e revisões, evita concentração excessiva apenas em aulas e leituras.

Exemplo de organização semanal

Para quem dispõe de cerca de três horas por dia, a sugestão é dividir o tempo em três blocos de aproximadamente 50 minutos com pequenas pausas. Uma proposta de distribuição semanal apresentada pela psicopedagoga é: segunda — Matemática e Linguagens; terça — Biologia ou Química e redação; quarta — Ciências Humanas e Matemática; quinta — Física e Linguagens; sexta — redação e revisão da semana; sábado — questões ou simulado parcial pela manhã e análise de erros; domingo — livre. O cronograma deve ser adaptado conforme disponibilidade individual.

A organização aliada ao respeito ao sono e à sinalização dos próprios limites é apontada pelos especialistas como fundamental para manter a eficiência nos estudos e a saúde durante a preparação para o Enem 2026.

Com informações de Jornaldaparaiba