O Consórcio Canal Galheta Dragagem (CCGD) arrematou, nesta quarta-feira (22), a concessão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá (PR) após leilão realizado na B3, em São Paulo. O grupo venceu a concorrência ao oferecer 12,63% de desconto na tarifa de referência — patamar máximo permitido — e apresentar outorga de R$ 276 milhões depois de 18 lances em viva-voz.

O certame foi acompanhado pelo ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e pelo governador do Paraná, Ratinho Júnior. Além do CCGD, participaram DTA Engenharia, Jan de Nul e a chinesa China Harbour Engineering Company (CHEC) Dredging.

Como foi a disputa

A primeira fase avaliou o desconto na tarifa de referência. As propostas foram:

  • DTA Engenharia – 1,29%
  • Jan de Nul – 0,34%
  • CHEC Dredging – 10,30%
  • CCGD – 10,73%

Com mais de um concorrente abaixo do teto de 12,63%, a disputa passou para o viva-voz. A Jan de Nul ficou fora por ter oferecido o menor abatimento inicial, enquanto a DTA Engenharia optou por não lançar novos valores. CCGD e CHEC igualaram o desconto máximo de 12,63%, levando o leilão à segunda etapa, focada na maior outorga. Ao fim dos lances, o CCGD levou a concessão com R$ 276 milhões, superando a CHEC.

Primeira concessão de canal portuário no Brasil

Conduzida pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), a concessão é válida por 25 anos, prorrogáveis por até 70. Trata-se do primeiro canal de acesso portuário do país leiloado à iniciativa privada. A vencedora passa a responder por dragagem, sinalização, batimetria e monitoramento das embarcações — atividades hoje sob responsabilidade da Portos do Paraná.

Nos primeiros cinco anos, o consórcio deverá investir R$ 1,22 bilhão e pagar outorga fixa anual de R$ 86 milhões. Entre as obrigações está aprofundar o canal dos atuais 13,5 para 15,5 metros de calado, permitindo a operação de navios porta-contêineres de até 366 metros e graneleiros de 120 mil toneladas.

Impacto operacional

Cada dois metros adicionais de calado representam, em média, mil contêineres extras ou 14 mil toneladas a mais de carga por embarcação, sem custo adicional ao usuário. Atualmente, o Porto de Paranaguá recebe cerca de 2,6 mil navios por ano, com destaque para granéis sólidos como soja e proteína animal. No primeiro semestre de 2025, movimentou 30,9 milhões de toneladas, segundo maior volume entre portos públicos, de acordo com a Antaq.

Outros leilões no dia

Antes da disputa em Paranaguá, o governo leiloou o Terminal RDJ07, no Rio de Janeiro, voltado a apoio logístico offshore, com investimentos estimados em R$ 99,4 milhões em 25 anos. Também foi licitado o terminal de passageiros TMP de Maceió (AL), que deve receber R$ 3,75 milhões para modernizar a estrutura de cruzeiros marítimos.

O modelo adotado em Paranaguá é apontado pelo Ministério de Portos e Aeroportos como referência para futuros leilões dos portos de Santos (SP), Itajaí (SC), Salvador (BA) e Rio Grande (RS).

Com informações de Agência Brasil