O avanço de forças de direita na Paraíba vem alterando o quadro político estadual e criando novas pressões sobre pré-candidatos ao Governo em 2026. Levantamento do Tribunal Superior Eleitoral mostra que, em 2022, Jair Bolsonaro teve desempenho abaixo da média nacional no estado, enquanto Luis Inácio Lula da Silva (PT) venceu o segundo turno em todas as cidades paraibanas. Para o próximo pleito, analistas apontam que a direita brasileira se organiza com identidade própria, distante da figura de Bolsonaro, e essa dinâmica já alcança regiões como o Sertão e o Agreste paraibanos.

O professor e pesquisador Rodolpho Raphael, especialista em ciência política, comunicação eleitoral e marketing político, afirma que a direita na Paraíba tende a disputar espaço de forma mais estruturada em 2026, com nomes ao Senado e ao Governo do Estado. Entre os protagonistas citados estão Marcelo Queiroga (PL), pré-candidato ao Senado, e Efraim Filho (PL), pré-candidato ao governo.

Segundo Raphael, o fortalecimento desse campo tem explicações locais: o crescimento de igrejas neopentecostais no interior impulsionou uma agenda conservadora que encontra eco em candidaturas de direita; além disso, a insatisfação com o establishment levou eleitores a migrar para perfis outsiders com discurso anti-sistema. O pesquisador também destaca a fragmentação do voto, com eleitores menos fiéis a legendas e mais responsivos a candidatos com presença concreta, e a prática de alianças tardias, típica do pragmatismo político nordestino, sobretudo em decisões de segundo turno.

O movimento já se refletiu em atos partidários: em março deste ano, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) participou do evento de filiação de Efraim Filho, que reuniu lideranças nacionais e locais do PL, como o deputado federal Cabo Gilberto Silva e os deputados estaduais Sargento Neto, Wallber Virgolino e George Moraes. Para Raphael, a presença evidencia articulação da oposição no estado.

Com cerca de 3.225.312 eleitores aptos a votar, de acordo com o TSE, a Paraíba tem relevância regional nas eleições de 2026 em um contexto de polarização nacional entre direita e esquerda. O pesquisador observa que a polarização tende a transformar o comportamento eleitoral em uma disputa identitária, onde o voto muitas vezes se dá contra o adversário e os debates sobre economia, segurança e saúde ficam subordinados às narrativas dos campos em disputa.

Pré-candidatos em um novo cenário

Na avaliação de Rodolpho Raphael, Efraim Filho consolidou espaço no eleitorado de direita e pode influenciar tanto a corrida ao Governo do Estado quanto projetos políticos de maior alcance no médio prazo. Porém, o pesquisador ressalta que Efraim precisa construir uma liderança local autêntica, já que depender de referências nacionais não garante sustentação no eleitorado nordestino. Ele identifica três pilares da trajetória de Efraim: atuação legislativa reconhecida, postura de moderação que evitou alinhamento extremo a Bolsonaro e herança política familiar como filho de Efraim Morais.

O atual governador, Lucas Ribeiro (Progressistas), aparece como outro nome em ascensão nas pesquisas, reflexo em parte da transferência de capital político do ex-governador João Azevêdo (PSB). Raphael aponta que João construiu uma imagem de gestor técnico e que ao sinalizar a sucessão, transferiu credibilidade e estrutura a Lucas. O pesquisador ressalta que Lucas vem procurando consolidar uma identidade própria como gestor, mas terá o desafio de se desvincular politicamente da força eleitoral da família Ribeiro — incluindo o avô Enivaldo, o tio Aguinaldo e a senadora Daniella Ribeiro.

Já o ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), segundo o pesquisador, deixou uma posição consolidada ao renunciar à Prefeitura para disputar o governo, movimento que pode ter reduzido seu capital político. Raphael aponta que Cícero subestimou a força de João Azevêdo fora da capital, superestimou sua popularidade estadual e acabou abrindo espaço para que Léo Bezerra (PSB) assumisse o protagonismo na gestão municipal. Para o especialista, essa estratégia pode enfraquecer a viabilidade da pré-candidatura estadual de Cícero.

O cenário delineado pela organização da direita e pela reação de nomes de centro e centro-esquerda irá se desdobrar até 2026, exigindo dos pré-candidatos capacidade de articulação, entrega concreta e comunicação segmentada para disputar votos em um eleitorado mais volátil.

Com informações de Polemicaparaiba