O prefeito de Cubatão (SP), César Nascimento (PSD), anunciou que irá a Brasília acompanhado de lideranças políticas, empresariais e sindicais da Baixada Santista para pleitear a intervenção do governo federal no enfrentamento ao fechamento de duas indústrias instaladas na cidade há décadas. As unidades encerradas são da petroquímica Unigel e da norueguesa Yara Brasil Fertilizantes.
Pedido ao governo federal
Na capital federal, Nascimento pretende solicitar uma reunião com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, para discutir a revisão da política tarifária sobre o setor petroquímico e a importação de fertilizantes. O prefeito defende que o ajuste nas tarifas e condições de financiamento pode evitar novas desistências de investimentos e preservar empregos locais.
O chefe do Executivo municipal também cobrará celeridade na investigação da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC sobre suposto dumping nas exportações chinesas de produtos laminados de ferro e aço. Em dezembro de 2025, a Secex divulgou parecer preliminar apontando prática de dumping, mas prorrogou o prazo para conclusão do inquérito.
Fechamento das fábricas
No último dia 8, a Unigel comunicou a paralisação da planta de estireno e tolueno em Cubatão. Conforme a empresa, há “contexto de baixa sem precedentes na indústria química global” e excesso de oferta, o que inviabilizou a operação local. A produção será concentrada na unidade do Guarujá (SP) e em São José dos Campos (SP), também afetada pelo encerramento.
A Unigel, que entrou em recuperação judicial em outubro de 2025 com dívidas superiores a R$ 5 bilhões, informou não descartar a retomada das atividades caso melhorem as condições de mercado. Até então, sua fábrica em Cubatão tinha 70 funcionários diretos e cerca de 30 indiretos.
Pouco antes da decisão, o prefeito chegou a oferecer incentivos fiscais para manter a operação na cidade e mobilizou prefeitos da Região Metropolitana da Baixada Santista em busca de estímulos conjuntos ao setor industrial.
Reação dos trabalhadores
Herbert Passos Filho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas e de Fertilizantes da Baixada Santista (Sindquim), lamentou o fechamento. Segundo ele, Cubatão já chegou a empregar 12 mil profissionais no segmento petroquímico e atualmente conta com cerca de 3 mil. Passos lembrou que a suspensão das atividades da Yara em Cubatão e Paulínia, anunciada em fevereiro, agravou a dependência de fertilizantes importados.
Dados do sindicato apontam que, desde 2008, a produção nacional de fertilizantes caiu de 11 milhões para 6 milhões de toneladas por ano, enquanto o consumo saltou de 24 milhões para mais de 41 milhões de toneladas.
Medidas de estímulo e defesa comercial
Nos últimos anos, o governo federal adotou programas para apoiar a indústria química. Em 2023, foi reativado o Regime Especial da Indústria Química (Reiq), e, em dezembro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 15.294, que instituiu o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq) com R$ 10 bilhões em incentivos até 2031.
Geraldo Alckmin afirmou que o polo petroquímico enfrenta “dificuldades de competitividade” diante da concorrência externa e destacou a necessidade de defesa comercial com base nas regras da Organização Mundial do Comércio.
O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) também manifestou preocupação com o processo de desindustrialização em Cubatão e defendeu a formulação de políticas públicas integradas para fortalecer a indústria nacional e preservar empregos.
Com informações de Agência Brasil



