Áudios apontam plano para colocar delegado em cargo superior e enfraquecer Delegacia de Repressão ao Crime Organizado
Investigadores que atuam na Operação Perfídus obtiveram áudios e provas que mostram policiais da Paraíba envolvidos em um esquema de tráfico de drogas e corrupção que incluiria a tentativa de promover o delegado Braz Morroni a superintendente da Polícia Civil, com o objetivo de ganhar acesso a informações e “desmanchar” a Draco — a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado.
Um dos trechos analisados pela polícia, datado de 12/11/2025, contém conversa atribuída ao agente Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba”, na qual ele afirma estar tentando emplacar o delegado para o cargo. No mesmo dia, as investigações apontam que Everton recebeu depósitos em espécie no valor de R$ 62 mil sem identificação dos remetentes.
Segundo o inquérito, Everton foi identificado como operador central da organização criminosa. Entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, ele teria recebido R$ 198.950 em depósitos em espécie, valores que despertaram a atenção dos investigadores ao serem cruzados com conversas e arquivos apreendidos em dispositivos eletrônicos.
As apurações, que contabilizaram cerca de 40 mil áudios analisados, também apresentam troca de mensagens com um suposto traficante chamado José Alexandrino de Lira Júnior. Em gravações, Everton relata o envio de drogas vindas do Acre e menciona a participação da facção conhecida como Família do Norte, além de citar alterações de embalagem conforme a facção responsável pela distribuição.
Num dos trechos, o agente relata ter repassado carregamentos para outra pessoa identificada como “Dudu” e afirma que parte da droga foi entregue a informantes, com pagamento realizado em mercadoria apreendida. Há ainda conversas sobre estratégia de ocultação de volumes para provocar escassez no mercado ilícito e influenciar preços, com menção de que o delegado estaria envolvido nessas tratativas.
A Operação Perfídus cumpriu nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão, além de ordem judicial para bloqueio de cerca de R$ 10 milhões das contas dos investigados. Entre os presos estão, além de Everton (“Bomba”), o agente Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”, apontado por suposta participação em subtrações de drogas, monitoramento de carregamentos e uso de rastreadores.
Outros alvos detidos na operação são João Wicttor Alves de Lima; Brendo Roberth Fernandes Sobral; Paulo Ricardo Barbosa de Souza (“Galinha”); José Alexandrino de Lira Júnior (“Júnior Lira”); Vanessa Dantas Fernandes; e Dankennedy Vieira Brito da Silva (“Babau”). A Justiça da Paraíba prorrogou por 30 dias a prisão temporária do delegado Braz Morroni, dos agentes Everton e Eduardo Jorge e de outros sete investigados, alegando necessidade de prazo adicional para perícias em telefones, computadores e demais materiais apreendidos. O pedido de prisão domiciliar para o delegado foi negado, mas foi determinado acompanhamento médico na unidade prisional.
Os investigados permanecem presos no Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa, enquanto a Polícia Civil finaliza perícias e prepara o relatório final do inquérito no novo prazo estabelecido pela Justiça.
Com informações de G1



