A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Cajazeiras apresentou nesta terça-feira (20) o balanço das atividades desenvolvidas ao longo de 2025, destacando o aumento no número de inquéritos instaurados e a redução nos casos de feminicídio.

De acordo com a delegada titular, Dra. Yvna Cordeiro, o crescimento nos procedimentos não sinaliza necessariamente elevação da violência, mas reflete maior conscientização das vítimas quanto à Lei Maria da Penha. A maioria das investigações envolve solicitações de medidas protetivas.

“É um número alto, mas que precisa ser comemorado, pois demonstra que mais mulheres conhecem seus direitos e buscam amparo”, afirmou a delegada. Ela acrescentou que em Cajazeiras o índice de desistência das denúncias é quase nulo, reforçando a eficácia do atendimento especializado.

Dra. Yvna salientou o perfil híbrido da unidade, que alia ações repressivas e preventivas. Entre as iniciativas de prevenção, estão atividades em escolas, campanhas de panfletagem durante o Carnaval e projetos direcionados a ambientes predominantemente masculinos, como canteiros de obras da Transposição do Rio São Francisco e empresas de engenharia.

Segundo a delegada, foi a primeira vez que empresas privadas demonstraram interesse em programas de prevenção à violência doméstica para seus funcionários, ampliando o alcance da rede de proteção.

Em relação aos feminicídios, os dados apontam estabilidade: após três registros em 2023, ocorreram apenas um caso em 2024 e outro em 2025 em Cajazeiras. As investigações ficam sob responsabilidade do Grupo Tático Especial (GTE).

Um dado preocupante ressaltado por Dra. Yvna é que nenhuma das mulheres vítimas de homicídio procurou a DEAM ou tinha medida protetiva antes de serem assassinadas.

“Medida protetiva serve! Não é apenas um papel, é uma ordem judicial”, destacou a delegada, lembrando que a cidade conta com a Patrulha Maria da Penha para fiscalizar o cumprimento das determinações judiciais.

O baixo índice de feminicídios é atribuído à articulação entre a DEAM, o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), a Secretaria da Mulher e movimentos sociais, que fortalecem o suporte institucional no combate ao crime.





Para denunciar, as vítimas podem procurar a DEAM Cajazeiras, localizada na Av. Cmte. Vital Rolim, no Centro; ligar para o Disque 100 (Direitos Humanos), o Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou o 197 (Polícia Civil, denúncia anônima).

O grupo da DEAM reforça o apelo para que mulheres não permaneçam caladas. Segundo Dra. Yvna, “o único culpado da relação abusiva é o agressor”.

Com informações de Diariodosertao