A Defesa Civil de João Pessoa interditou 11 elevadores do condomínio Altiplano I na quinta-feira (14). A medida atinge todos os equipamentos do empreendimento e foi tomada após solicitação do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Paraíba (CREA-PB), informou o coronel Kelson de Assis, coordenador da Defesa Civil Municipal.

O bloqueio ocorre após um dos elevadores do condomínio despencar com três pessoas no interior, episódio que deixou uma mulher de 36 anos paraplégica em decorrência de lesão na coluna. As duas crianças que a acompanhavam, de 3 e 5 anos, foram atendidas no Hospital de Trauma de João Pessoa e liberadas em seguida.

De acordo com o diretor do Trauma, Laécio Bragante, o diagnóstico de paraplegia foi confirmado por tomografia e outros exames realizados pelo setor de neurocirurgia, e a família foi informada. A paciente, de nacionalidade surinamesa e com familiares na Holanda, pediu transferência para um hospital privado em João Pessoa. Apesar do pedido, já há programação cirúrgica para estabilização da coluna — procedimento que, segundo o diretor, visa alinhar e fixar as vértebras para evitar danos adicionais à medula, normalmente por meio da colocação de placas laterais envolvendo pelo menos três vértebras.

Na noite da interdição, moradores do Altiplano I realizaram um protesto em frente ao condomínio. Eles relatam que problemas com os elevadores são recorrentes desde a entrega do empreendimento.

Processo judicial e laudo técnico

Antes do desabamento, o condomínio havia movido ação contra a construtora GGP na 7ª Vara Cível da Capital, alegando falhas estruturais e recorrentes problemas nos elevadores. Um laudo ao qual a reportagem teve acesso recomendou a substituição integral dos equipamentos e apontou falhas como travamentos, interrupções e deficiências nos sistemas de segurança.

O documento, elaborado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, lista inconformidades no elevador do Bloco B — onde ocorreu o desabamento — consideradas de alta prioridade. Entre os problemas apontados estão ausência de sinalização de segurança e controle de acesso à casa de máquinas, falta de extintor adequado, inexistência de iluminação de emergência, falhas de aterramento, falta de ventilação, irregularidades na instalação elétrica e ausência de dispositivos de resgate emergencial. O laudo também afirma que a máquina de tração não atende à capacidade de peso da estrutura nem às normas de segurança, recomendando a substituição completa do equipamento.

Em janeiro de 2025, a Justiça determinou a troca dos elevadores, mas a construtora recorreu e o processo segue em andamento. A GGP afirmou, em nota, que a manutenção dos equipamentos de uso comum é responsabilidade do condomínio a partir do início de uso pelos moradores e declarou estar à disposição das autoridades e da administração condominial para colaborar nas apurações. A administração do condomínio informou que prestou atendimento às vítimas e que acionou a Justiça diante da persistência dos problemas técnicos desde a entrega do empreendimento, em setembro de 2023.





A interdição dos 11 elevadores permanece enquanto as autoridades e os órgãos responsáveis avaliam as condições dos equipamentos e as medidas a serem adotadas.

Com informações de Jornaldaparaiba