As contas externas do Brasil registraram déficit de US$ 1,765 bilhão em abril, informou o Banco Central na terça-feira (24). O resultado foi ligeiramente superior ao registrado em abril de 2025, quando o déficit nas transações correntes foi de US$ 1,636 bilhão.

No acumulado de 12 meses encerrados em abril, as transações correntes apresentaram saldo negativo de US$ 64,333 bilhões, equivalente a 2,66% do Produto Interno Bruto (PIB). Em comparação, no período de 12 meses terminado em abril de 2025 o déficit havia sido de US$ 73,919 bilhões, ou 3,46% do PIB.

Em abril, o superávit da balança comercial de bens cresceu US$ 2,8 bilhões, porém esse avanço foi compensado por aumentos nos déficits de renda primária, em US$ 1,8 bilhão, e de serviços, em US$ 1 bilhão. Também houve queda de pouco mais de US$ 100 milhões no superávit de renda secundária.

Investimentos

Segundo o Banco Central, as transações correntes seguem em situação robusta e a tendência é de redução do déficit em 12 meses desde setembro de 2025. O financiamento do resultado negativo ocorreu por meio de capitais de longo prazo, especialmente investimentos diretos no país (IDP), considerados de boa qualidade por apresentarem fluxos e estoques sólidos.

O IDP totalizou US$ 8,912 bilhões em abril, contra US$ 5,371 bilhões em abril de 2025. No acumulado de 12 meses até abril, os investimentos diretos no país atingiram US$ 79,201 bilhões (3,28% do PIB), ante US$ 75,660 bilhões (3,18% do PIB) no mês anterior e US$ 72,691 bilhões (3,40% do PIB) no período encerrado em abril de 2025.

Investimentos em carteira no mercado doméstico apresentaram ingresso líquido de US$ 621 milhões em abril, resultado de aportes de US$ 1,098 bilhão em ações e fundos e retirada de US$ 477 milhões em títulos de dívida. No conjunto dos 12 meses até abril, esses investimentos totalizaram ingressos líquidos de US$ 28,5 bilhões.

O estoque de reservas internacionais alcançou US$ 366,9 bilhões em abril, aumento de US$ 4,911 bilhões em relação a março.

Transações correntes

As exportações de bens somaram US$ 34,282 bilhões em abril, alta de 13,9% na comparação anual. As importações chegaram a US$ 24,574 bilhões, aumento de 6,2% em relação a abril de 2025. Com isso, a balança comercial registrou superávit de US$ 9,707 bilhões no mês, ante US$ 6,957 bilhões em abril de 2025.

O déficit em serviços — que inclui viagens, transporte, aluguel de equipamentos, telecomunicações e propriedade intelectual — ficou em US$ 5,044 bilhões, contra US$ 4,091 bilhões em abril de 2025. Entre os destaques, houve alta de 26% nas despesas líquidas de telecomunicação, computação e informações, totalizando US$ 839 bilhão de déficit; aumento de 16,1% em aluguel de equipamentos, somando US$ 1,130 bilhão; e alta de 66,4% nas despesas líquidas de viagens internacionais, que somaram US$ 1,456 bilhão — com gastos de estrangeiros no Brasil praticamente estáveis em US$ 837 bilhão e aumento de 34,8% nas despesas de brasileiros no exterior, que atingiram US$ 2,293 bilhões.

O déficit em renda primária totalizou US$ 6,801 bilhões em abril, 35,5% acima do registrado em abril de 2025 (US$ 5,018 bilhões). Já a conta de renda secundária apresentou superávit de US$ 374 milhões no mês, ante US$ 516 milhões em abril do ano anterior.

O déficit das transações correntes em abril foi coberto por entradas de capitais de longo prazo, com ênfase nos investimentos diretos no país.

Com informações de Agência Brasil