O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou, nesta quinta-feira (12), uma representação criminal dirigida à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal para solicitar a abertura de investigação sobre transferências financeiras atribuídas ao empresário Fabiano Campos Zettel, apontado como cunhado do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
No documento encaminhado às autoridades, o parlamentar pede a instauração de um procedimento investigatório criminal para apurar a origem e a destinação de valores que teriam sido repassados a campanhas eleitorais nas eleições de 2022. Segundo a peça, as doações atribuídas a Zettel totalizariam cerca de R$ 5 milhões, dos quais aproximadamente R$ 3 milhões teriam sido destinados à campanha presidencial de Jair Bolsonaro e cerca de R$ 2 milhões à candidatura de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo.
A representação afirma que tais valores colocariam o empresário entre os maiores doadores pessoas físicas nas referidas disputas eleitorais. O texto menciona ainda declarações atribuídas ao presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, segundo as quais Zettel teria depositado cerca de R$ 3 milhões diretamente na conta pessoal de Bolsonaro.
Lindbergh sustenta no documento que, se confirmadas, as transferências milionárias diretamente para contas pessoais de lideranças políticas exigem apuração rigorosa, sobretudo quando realizadas por pessoas vinculadas a estruturas empresariais sob investigação. O deputado cita informações recentes sobre o núcleo empresarial associado ao Banco Master, cujo então controlador teria sido alvo de apurações da Polícia Federal por suspeitas de fraude financeira, lavagem de dinheiro e outras práticas ilícitas no sistema bancário.
A peça apresentada aponta reportagens e investigações que, segundo o parlamentar, indicariam a existência de uma estrutura empresarial e financeira complexa, com uso de mecanismos de intermediação, pessoas interpostas e movimentação de recursos em grande escala. Lindbergh argumenta que fluxos financeiros entre empresários ligados ao caso e lideranças políticas poderiam suscitar dúvidas sobre o uso do financiamento eleitoral como instrumento de influência institucional.
Entre as diligências solicitadas estão a oitiva de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Valdemar Costa Neto e do tesoureiro nacional do PL, Jucivaldo Salazar Pereira. A representação também requer informações ao Banco Central do Brasil e ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), bem como dados de instituições financeiras para rastrear a origem e o destino dos recursos.
O documento pede ainda medidas de rastreamento financeiro, incluindo eventual quebra de sigilo bancário e fiscal dos citados, e o compartilhamento de provas com investigações em andamento relacionadas ao Banco Master. Lindbergh solicita que seja verificado se as doações foram registradas nas prestações de contas eleitorais e se a origem dos recursos corresponde à capacidade econômica do doador.
O caso segue agora sob análise da PGR e da Polícia Federal, conforme requerido na representação.
Com informações de Polemicaparaiba



