O Banco de Brasília (BRB) anunciou a renúncia de Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo ao cargo de diretor Jurídico da instituição. O comunicado, divulgado em fato relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite de segunda-feira (9), informa que a saída do executivo será efetivada no próximo sábado (14).
O BRB não especificou os motivos da renúncia nem informou quem ocupará a Diretoria Jurídica a partir de então. No documento encaminhado à CVM, o banco afirmou que continuará mantendo acionistas e o mercado informados sobre fatos relevantes, reforçando seu compromisso com ética, responsabilidade e transparência.
Nova diretoria de Controles e Riscos
No mesmo comunicado, o BRB confirmou a posse de Ana Paula Teixeira como nova diretora executiva de Controles e Riscos. Conforme a instituição, a executiva possui vasta experiência no setor financeiro, tendo exercido a vice-presidência de Gestão de Riscos, Controles Internos, Segurança Institucional e Cibersegurança no Banco do Brasil.
A nomeação de Teixeira faz parte de uma estratégia do BRB para fortalecer a governança corporativa, a integridade institucional e o gerenciamento de riscos e controles internos.
Contexto do caso Banco Master
As mudanças na alta direção do BRB ocorrem em meio à crise desencadeada pelo envolvimento do banco com o Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025. Investigações apontaram que, entre 2023 e 2024, o BRB adquiriu duas carteiras de crédito da instituição no valor total de R$ 12,2 bilhões, compostas por ativos superfaturados ou inexistentes.
Em 2025, o BRB chegou a negociar a aquisição do controle do Banco Master. Embora o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) tenha aprovado a operação em junho, o Banco Central a rejeitou em setembro, resultando na liquidação do Master.
Segundo depoimento à Polícia Federal do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, as transações com o Master geraram um rombo estimado em R$ 5 bilhões no balanço do BRB.
Parecer jurídico e vídeo interno
Reportagem do site Metrópoles revelou a existência de um parecer assinado por Veloso, no qual ele alertava riscos das operações com o Banco Master, destacando a importância de observar índices de liquidez e de Basileia. Paralelamente, o então diretor jurídico gravou um vídeo interno em que defendia a compra do Master, assegurando que “todos os cuidados jurídicos estavam sendo tomados”.
Plano de recomposição de capital
Para recuperar a liquidez e a credibilidade, o BRB apresentou ao Banco Central, em 6 de fevereiro, um plano de capital com medidas para recompor o patrimônio em até 180 dias. Estimativas do BC apontam que será necessário um aporte mínimo de R$ 5 bilhões. O governador do Distrito Federal, acionista controlador com cerca de 72% das ações, acompanha de perto as medidas, cuja proposta foi entregue pelo presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, na sede do BC em Brasília.
Com informações de Agência Brasil



