O dólar comercial encerrou a sessão desta quinta-feira (24) vendido a R$ 5,1931, alta de 0,47%, em meio a um movimento global de aversão a risco que também pressionou a bolsa brasileira. A cotação iniciou o dia em R$ 5,16 e atingiu R$ 5,202 na máxima, por volta das 15h. No mês, a moeda americana acumula alta de 0,26%, mas mantém queda de 5,39% no ano.
Contexto internacional e rendimentos
A valorização do dólar acompanhou o avanço da moeda no exterior: o índice DXY subiu 0,14%, situando-se em 101,270 pontos perto das 17h. O fortalecimento foi intensificado pela elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, motivados por preocupações com a inflação americana e pela perspectiva de juros mais elevados por parte do Federal Reserve.
O Treasury de dez anos chegou a render 5,2209% no fim da tarde, ante 5,114% na sessão anterior, permanecendo acima de 5% ao ano pela primeira vez desde 2007. Rendimentos maiores em títulos considerados seguros tendem a provocar saída de capitais de mercados emergentes, como o Brasil.
Atuação do Banco Central e projeções
O Banco Central interveio no mercado de câmbio vendendo US$ 1 bilhão em dois leilões de linha simultâneos. Nessas operações, o BC vende dólares com compromisso de recompra futura, ampliando a oferta de moeda estrangeira e a liquidez no mercado local. Na quarta-feira, a autoridade monetária havia informado que o fluxo cambial brasileiro estava negativo em US$ 7,078 bilhões em setembro até o dia 18.
O BC também divulgou novas projeções econômicas: a estimativa de crescimento do PIB para 2026 foi reduzida de 2% para 1,8%, e a previsão para 2027 é de expansão de 1,4%.
Queda do Ibovespa
O Ibovespa recuou 0,99%, terminando o pregão em 183.965,91 pontos. O índice oscilou entre máxima de 186.211,43 e mínima de 183.834,97 pontos. A piora no apetite por risco global e o aumento dos rendimentos americanos limitaram a demanda por ativos mais arriscados, enquanto a alta do petróleo trouxe receios sobre pressões inflacionárias.
No mercado doméstico, investidores também reagiram às revisões fiscais do governo: os Ministérios da Fazenda e do Planejamento reduziram a necessidade de contenção de despesas de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões, ao mesmo tempo em que elevaram a previsão de déficit efetivo para 2026 a R$ 80,9 bilhões. Pesquisas eleitorais divulgadas no dia também influenciaram o ambiente de negócios.
Petróleo em forte alta
O preço do petróleo avançou significativamente perante incertezas sobre negociações entre Estados Unidos e Irã e a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz. O barril do tipo Brent subiu 3,41%, a US$ 106,60, acumulando ganho próximo de 4% na semana e acima de 18% no mês. O WTI, referência americana, valorizou 2,65%, a US$ 94,61 por barril. As cotações chegaram a se afastar das máximas à tarde após notícias sobre possíveis conversas entre EUA e Irã, mas a indefinição manteve pressão sobre os preços.
A evolução do mercado de petróleo é observada de perto porque combustíveis mais caros podem elevar pressões inflacionárias e afetar expectativas sobre a trajetória das taxas de juros em diversas economias.
O resultado do dia refletiu um cenário global mais conservador para ativos de risco e um conjunto de fatores domésticos e externos que reforçaram a volatilidade das negociações.
Com informações de Agência Brasil




