A Polícia Civil indiciou o proprietário de uma pizzaria de Pombal, no Sertão da Paraíba, pelo crime de vender alimentos impróprios para o consumo após um surto que deixou mais de 100 pessoas intoxicadas e causou a morte de uma cliente.

Segundo a corporação, o dono do estabelecimento, identificado como Marcos Antônio, foi formalmente indiciado. A reportagem do G1 informou que entrou em contato com a defesa do proprietário, que inicialmente não havia respondido; posteriormente, a defesa enviou um vídeo em que Marcos Antônio manifesta pesar pela morte e pelo sofrimento das pessoas que precisaram de atendimento médico.

Os laudos periciais do Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB) apontaram contaminação bacteriana nas vítimas e concluíram que o óbito ocorreu em razão de infecção intestinal aguda grave. Exames toxicológicos descartaram a presença de substâncias exógenas como venenos ou entorpecentes.

Testes realizados em amostras dos alimentos consumidos na noite de 15 de março identificaram bactérias — entre elas Escherichia coli e estafilococos coagulase positivos — no molho de tomate e nas pizzas analisadas. A carne, quando analisada ainda na origem, não apresentou contaminação, o que, segundo a Polícia Civil, indica que a contaminação ocorreu durante a manipulação dos alimentos dentro do estabelecimento.

O surto ocorreu entre a noite de 15 de março e o dia 16 do mesmo mês. A cliente que veio a óbito foi identificada como Raíssa Maritein Bezerra e Silva; ela havia ido ao local com o namorado para comer uma pizza de carne de sol. O companheiro passou por atendimento e teve sintomas, mas não evoluiu para quadro grave. Ao todo, 117 pessoas que comeram na pizzaria procuraram atendimento médico com náuseas, vômitos, diarreia e dores abdominais.

De acordo com o inquérito, não foi possível individualizar a conduta criminosa que teria causado a contaminação, razão pela qual os investigadores constataram não ser possível atribuir de forma direta a morte ou as lesões ao proprietário ou a outras pessoas. Mesmo assim, o indiciamento por comercializar alimentos impróprios foi realizado.

O local permanece interditado pela Vigilância Sanitária e a Polícia Civil também representou pela interdição judicial do estabelecimento. O inquérito foi encaminhado à Justiça da Paraíba para decisão sobre eventual prosseguimento.

O Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol) informou que exames toxicológicos complementarão as investigações. Em análise inicial, segundo o perito Luiz Rustenes, não foram observadas alterações nos órgãos típicas de intoxicação alimentar.

O caso continua sob investigação e aguarda pronunciamentos e laudos complementares que podem esclarecer responsabilidades e causas detalhadas do surto.

Com informações de G1