Na tarde de terça-feira (20), o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), foi vaiado durante cerimônia ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Rio Grande, no sul do estado. O evento celebrou a assinatura de contratos para a construção de navios destinados à Petrobras no Polo Naval.
As vaias tiveram início quando o cerimonial anunciou o nome de Leite e se intensificaram enquanto a prefeita Darlene Pereira (PT) agradecia ao governador pela parceria. Ao subir ao palco, o chefe do Executivo estadual enfrentou dificuldades para iniciar seu discurso diante dos protestos de trabalhadores da Petrobras e de integrantes de movimentos sociais.
“Este é o amor que venceu o medo? Não, né? Vamos respeitar, por favor. Estou aqui cumprindo meu dever institucional. Eu e o presidente fomos eleitos pelo mesmo povo. Somos diferentes, mas não precisamos pensar igual”, declarou Leite, defendendo a importância da colaboração entre os governos estadual e federal pelo desenvolvimento do Rio Grande do Sul e do Brasil.
Durante a fala, o governador ressaltou o resultado das últimas eleições presidenciais, quando 50,8% dos eleitores escolheram o candidato vitorioso e 49% votaram no adversário. “Se vocês desejam união e reconstrução, não simplesmente hostilizem quem pensa diferente. Isso não leva a lugar nenhum”, afirmou, pedindo respeito às divergências.
O episódio acontece em meio à indefinição do PSD, presidido por Gilberto Kassab, sobre o apoio ao pleito presidencial de 2026. Embora o partido tenda a favorecer o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nomes como Ratinho Junior (PR) e o próprio Leite também despontam como opções para disputar a cadeira no Palácio do Planalto.
Leite aproveitou para destacar o desequilíbrio federativo e cobrar incentivos fiscais para atrair investimentos ao Sul do país, mencionando a redução de 75% no imposto de renda oferecida pela Sudene no Nordeste. “Não estou culpando o presidente. É uma distorção histórica”, explicou ao público.
O presidente Lula, por sua vez, encerrou a cerimônia sem citar diretamente as vaias, mas fez menções amistosas ao governador em seu discurso. Empolgado, o público chegou a gritar “sem anistia” durante a fala do petista, que denunciou a “fábrica de mentiras” disseminada por aplicativos de mensagem e conclamou: “Denuncie ou delete, não passe para frente”.
Pela manhã, Lula inaugurou moradias populares em Rio Grande e visitou o Estaleiro Rio Grande, administrado pela Ecovix. Na ocasião, assinou contrato de R$ 2,8 bilhões com a Transpetro para construção de cinco navios gaseiros, 18 empurradores e 18 barcaças, integrando o programa Mar Aberto.
Também foi anunciada a aplicação de R$ 6 bilhões na transformação da Refinaria Riograndense na primeira biorrefinaria do país, com previsão de início das operações no segundo semestre. À tarde, o presidente participou da entrega do conjunto habitacional Junção, do programa Minha Casa, Minha Vida, composto por 1.276 unidades e beneficiando mais de cinco mil moradores, com investimento total de R$ 123 milhões.
Com informações de Polemicaparaiba


