O El Niño de 2026 tem potencial para aumentar as temperaturas e intensificar os períodos de estiagem na Paraíba, com efeitos mais acentuados no Sertão e no Cariri, além de influenciar a próxima estação chuvosa do estado, segundo meteorologistas.

O que é e como se formou

O fenômeno é provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, consequência do enfraquecimento dos ventos alísios. Com esses ventos mais fracos, a água quente permanece na superfície e reduz a ascensão de águas profundas e frias, o que altera padrões de chuva e temperatura em várias regiões do planeta.

O que diferencia o evento de 2026

De acordo com a meteorologista Morgana Almeida, do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), o padrão de aquecimento observado no Pacífico indica que o El Niño de 2026 pode apresentar intensidade superior aos eventos recentes. Ela destacou que, desde o final de janeiro, houve aquecimento significativo na costa do Peru, caracterizando um El Niño Costeiro, e que a faixa central do oceano apresentou aquecimento consolidado em meados de abril.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) projeta alta probabilidade de que a temperatura da superfície do Pacífico fique mais de 2°C acima da média, cenário que classificaria o fenômeno como “Forte” ou “Muito Forte”. A meteorologista também ressaltou que o aquecimento global pode somar efeitos ao evento, elevando o risco de fenômenos extremos, como ondas de calor mais intensas, secas no Norte e Nordeste e chuva intensa no Sul do Brasil.

Impactos esperados na Paraíba

Na Paraíba, o principal efeito previsto é o aumento das temperaturas, com possibilidade de dias consecutivos com calor mais intenso e episódios de onda de calor. Nos meses de agosto, setembro e outubro de 2026, período que já marca o início da estação seca e de temperaturas mais altas, as precipitações devem ser escassas.

A elevação térmica pode reduzir a umidade relativa do ar, piorar a qualidade do ar e aumentar a evaporação dos reservatórios, pressionando o abastecimento hídrico e a demanda por energia elétrica.

Se o El Niño persistir com intensidade forte ou muito forte, a influência deverá estender-se à estação chuvosa seguinte, prevista entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, podendo alterar o comportamento das chuvas nesse trimestre.

Variação por regiões do estado

Embora todo o estado seja afetado, o Insa aponta que o Sertão e o Cariri tendem a sofrer impactos mais severos, com elevação de temperatura e baixa umidade no segundo semestre. No Litoral, Brejo e Agreste, a principal alteração esperada é a redução no volume acumulado de chuva durante outono e inverno; ainda assim, não se exclui a ocorrência de episódios pontuais de chuva intensa, como os observados no final de abril e início de maio.

As autoridades e a população devem acompanhar as atualizações meteorológicas para avaliar a evolução do fenômeno e seus desdobramentos no estado.

Com informações de Jornaldaparaiba