No Dia do Folclore, celebrado neste sábado (22), personagens como a Comadre Florzinha — também conhecida como Cumadi Fulozinha — e o Pai do Mangue continuam presentes na memória de comunidades da Paraíba. Essas figuras têm vínculos religiosos e ancestrais, razão pela qual especialistas alertam para a necessidade de cuidado ao rotulá-las apenas como “folclore”.

A pesquisadora Viviane Potiguara, indígena e doutora em psicologia social, ressalta que o termo folclore pode reduzir tradições vivas a meras lendas do passado. Ela destaca que muitas vezes o folclore é entendido somente como contos populares, o que pode dar a impressão de uma cultura estática, quando na verdade as práticas indígenas são dinâmicas e se transformam ao longo do tempo, afirma Viviane.

A Comadre Florzinha é uma entidade amplamente conhecida nas histórias da Paraíba e de Pernambuco. Nas narrativas populares, ela aparece ligada às matas e à proteção da fauna. Entre os Juremeiros, contudo, seu significado ultrapassa a figura de um personagem folclórico: Viviane explica que, para esse grupo, a Comadre Florzinha é considerada uma Mestra, uma Encantada associada à ancestralidade indígena e à proteção da natureza.

Pai do Mangue

Outra presença tradicional nas comunidades paraibanas é o Pai do Mangue, entidade relacionada às populações que dependem da pesca e aos manguezais. Descrições tradicionais o representam como um homem de idade avançada, de pele trigueira e barba farta, com voz grossa e um assobio fino. Costuma ser associado ao uso de chapéu de palha e roupas típicas de pescador.

Em alguns relatos, o Pai do Mangue carrega um samburá — cesta usada por pescadores — e há versões que dizem que ele pode se manifestar como uma luz que acende e apaga durante a noite ou até andar sobre as águas. A figura é considerada guardiã do manguezal e, segundo as tradições, não aceita desrespeito ao ambiente. Pescadores costumam oferecer fumo como sinal de agrado, e há avisos tradicionais contra palavrões, algazarra ou danos ao mangue; quem viola essas normas pode se perder e demorar dias até encontrar o caminho de volta, conforme contam as histórias.

Viviane Potiguara reforça que, ao tratar nomes classificados como folclore, é fundamental identificar a origem das histórias e os povos a que pertencem. Compreender essas raízes é uma forma de respeito e de preservação das culturas e do que se considera folclore, conclui.

Com informações de Jornaldaparaiba