Faltando aproximadamente dois meses para o primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, docentes consultados pelo Jornal da Paraíba dizem que ainda é viável progredir na preparação, desde que o estudante reorganize prioridades e adote métodos práticos de estudo.
Professores destacam que a abordagem nesta reta final precisa se diferenciar de uma preparação anual: em vez de tentar abarcar todo o conteúdo, recomenda-se concentrar esforços em temas que costumam reaparecer, intensificar a resolução de questões, fazer simulados e praticar redações com regularidade.
Redação: dominar a estrutura e as competências
Para a professora de redação Josy Kelly Santos, candidatos que estudaram pouco até agora devem focar na compreensão da estrutura dissertativo-argumentativa exigida pelo Enem e nas competências avaliadas pela banca. Ela orienta produzir um texto por semana e analisar redações bem pontuadas de edições anteriores para entender como os critérios aparecem na prática.
Josy também alerta contra a dependência de citações decoradas, o chamado “repertório coringa”. Em vez disso, recomenda organizar o repertório por eixos temáticos — saúde, educação, meio ambiente, tecnologia, aspectos sociais e culturais — e recorrer a conhecimentos adquiridos ao longo da vida escolar e leituras relevantes que se relacionem efetivamente com o tema.
Matemática: priorizar raciocínio e conteúdos recorrentes
O professor de matemática José Ferreira Lima Neto sugere evitar a tentativa de revisar todo o programa em profundidade. Segundo ele, é mais eficiente dominar bem assuntos que garantem maior número de acertos em questões fáceis e médias. Entre os tópicos indicados estão as quatro operações, frações, números decimais, razão e proporção, regra de três, porcentagem, conversão de unidades, gráficos e tabelas, estatística básica, geometria plana, Teorema de Pitágoras, escalas, volumes, equações do primeiro grau e função afim.
Dentro dessa lista, José Ferreira aponta como prioridade regra de três, porcentagem, interpretação de gráficos e tabelas, estatística básica e geometria elementar, por oferecerem melhor custo-benefício para quem tem pouco tempo.
Simulados e administração do tempo
Os simulados são citados como ferramenta essencial não só para testar o conhecimento, mas para treinar o ritmo da prova. No primeiro dia do Enem os candidatos dispõem de 5 horas e 30 minutos para responder linguagens, ciências humanas e elaborar a redação; por isso, a orientação é reproduzir condições semelhantes nos treinos e reservar até duas horas para a redação durante o simulado, evitando que a escrita consuma tempo demais.
Na matemática, exercícios cronometrados ajudam a identificar quais etapas ou conteúdos consumem mais tempo e onde ajustes são necessários.
Rotina curta e constância
Para quem tem apenas duas ou três horas por dia, ou precisa conciliar estudo com outras atividades, os professores sugerem constância. Uma proposta simples: destinar uma hora diária à disciplina escolhida, dividida em 30 minutos de resolução de questões, 20 minutos para correção e análise de erros e 10 minutos para revisar ou refazer exercícios problemáticos. Uma vez por semana, aplicar um bloco cronometrado de questões.
Além disso, os docentes destacam a importância de trabalhar a postura mental: substituir pensamentos como “sou péssimo em matemática” por avaliações realistas do tipo “ainda não domino alguns conteúdos, mas posso aprender o suficiente para garantir pontos” e focar nas áreas que são factíveis de recuperação.
Erros comuns e como evitá-los
Entre os equívocos frequentes estão a leitura apressada dos enunciados, esquecer conversões de unidades, confundir área com perímetro, aplicar porcentagem sobre valores incorretos e interpretar mal gráficos ou escalas. Para reduzir esses erros, recomenda-se criar o hábito de identificar antes dos cálculos o que a questão pede, quais dados serão usados e em qual unidade a resposta deve ser apresentada, além de conferir se o resultado final responde ao que foi solicitado.
Com cerca de 66 dias até a prova, as orientações convergem para uma preparação dirigida: priorizar o que ainda pode ser aprendido, praticar com frequência, usar simulados para ajustar tempo e ritmo, e produzir redações semanais para garantir pontos na avaliação escrita.
Com informações de Jornaldaparaiba




