A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) deve ser indicada para assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, segundo acordo fechado entre partidos. A indicação será submetida a votação na próxima semana.
Se confirmada no cargo, Erika Hilton passará a ser a primeira mulher trans a presidir o colegiado na história do Parlamento brasileiro. A parlamentar planeja usar a presidência para ampliar o debate sobre políticas de gênero no país e incluir na pauta da comissão temas relacionados à violência contra pessoas trans.
Entre as prioridades anunciadas para a comissão está a discussão sobre o transfeminicídio e a adoção de medidas de enfrentamento à violência contra pessoas trans. A proposta é levar essas questões ao centro das deliberações da comissão, com vistas a formular respostas institucionais e propostas legislativas voltadas à proteção desse grupo.
Dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), citados em relação ao tema, indicam que o Brasil segue sendo o país com maior número de assassinatos de pessoas trans no mundo. Em 2025, foram registrados 80 casos. Embora esse total seja inferior ao de 2024, quando houve 122 mortes, o país mantém a liderança nesse ranking global há quase 18 anos.
A indicação de Hilton resulta de um entendimento entre legendas e será oficializada mediante votação dos membros da Câmara na semana seguinte. A redação da comissão terá papel central na tramitação e no debate público sobre as matérias relativas aos direitos das mulheres e às políticas de gênero, caso a eleição se confirme.
O avanço de uma parlamentar trans para a presidência de um órgão voltado especificamente à defesa dos direitos das mulheres simboliza, segundo interlocutores envolvidos no acordo, uma mudança institucional na representatividade. A votação que efetivará a escolha acontecerá na próxima semana, conforme previsto no calendário de deliberações da Casa.
Com informações de Polemicaparaiba



