Ex-superintendente da Sudema alerta sobre risco de redução de chuvas no Nordeste
O ex-superintendente da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), João Vicente, afirmou que a possibilidade de ocorrência de um El Niño de grande intensidade em 2027 pode trazer impactos ao Nordeste brasileiro, especialmente na redução das precipitações em áreas de semiárido. A declaração foi dada durante participação no programa Olho Vivo, transmitido pela TV e Rede Diário do Sertão.
João Vicente explicou que o El Niño é um fenômeno natural associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial e a alterações na circulação dos ventos, o que afeta o transporte de umidade e pode modificar o regime de chuvas em diferentes regiões do Brasil. “Para nós do Nordeste, o problema do El Niño nos afeta, sim. Ele já afetou em outras oportunidades e poderá ocorrer novamente”, disse o ex-superintendente.
O especialista ressaltou que, embora seja possível apontar para uma tendência de período mais seco, não é viável determinar com antecedência e com precisão a quantidade de chuva que cada local receberá. “Eu acho que só o fato de apontar para um período de baixa pluviosidade, isso por si só já nos preocupa, até porque o semiárido é uma área de baixa pluviosidade”, afirmou.
João Vicente também chamou atenção para a variabilidade regional dentro da própria Paraíba, citando diferenças expressivas nos volumes de chuva. Segundo ele, regiões do interior do estado podem registrar precipitação anual na faixa de 300 a 400 milímetros, enquanto áreas litorâneas chegam a cerca de 2.000 milímetros. Essa disparidade aumenta a vulnerabilidade do Sertão e de outras partes do semiárido a longos períodos de estiagem, com efeitos sobre o abastecimento hídrico e as atividades econômicas locais.
Ao comentar medidas de mitigação, o ex-superintendente reconheceu que a chegada das águas da Transposição do Rio São Francisco alterou a realidade hídrica da Paraíba, mas enfatizou a necessidade de ampliar o alcance desse recurso. “O governo do estado precisa fazer o dever de casa e levar água da transposição nos locais mais recônditos do estado da Paraíba”, declarou.
João Vicente concluiu recomendando cautela e planejamento: acompanhar previsões meteorológicas, antecipar medidas e adotar uso responsável da água. “Devemos nos preocupar, sim, mas se desesperar, não. Agora, cuidado! E daqui para frente, todo cuidado com a água é pouco”, disse o ex-superintendente.
O tema do possível El Niño de grande intensidade em 2027 segue sendo debatido entre especialistas e autoridades, dada sua capacidade de alterar padrões pluviométricos e influenciar a gestão de recursos hídricos nas regiões mais vulneráveis.
Com informações de Diariodosertao


