O radialista e apresentador paraibano Fabiano Gomes concedeu entrevista ao programa Interview Personalidades, da TV Diário do Sertão, onde revisitou polêmicas de quase três décadas de carreira, relembrou a prisão preventiva de 2018 e expôs divergências com colegas de profissão. Em conversa no estúdio do próprio programa de rádio, “O Paraíba Boa”, o comunicador falou abertamente sobre erros, aprendizados e relações pessoais.
Críticas à imprensa e “preço da sinceridade”
Durante o bate-papo com o jornalista Caliel Conrado, Gomes afirmou que o sucesso na Paraíba costuma despertar hostilidade. Segundo ele, alguns profissionais de João Pessoa, chamados de “companheiros vaselina”, preferem a conivência para “agradar a todos”. Já o cajazeirense sustenta que paga um alto preço por expressar opiniões sem filtros. “Por mais que você seja odiado por setores, também é amado por outros”, resumiu.
Operação Xeque-Mate e detenção no PB1
Fabiano foi preso em agosto de 2018 após descumprir, por dois dias, obrigação de assinatura diária imposta no inquérito da Operação Xeque-Mate, que investigava suposta compra de mandato na Prefeitura de Cabedelo. A ordem partiu do desembargador João Benedito, do Tribunal de Justiça da Paraíba. Detido inicialmente na sede da Polícia Federal, ele foi transferido para a Penitenciária de Segurança Máxima Romeu Gonçalves de Abrantes (PB1), onde permaneceu 35 dias em Regime Disciplinar Diferenciado.
No relato, o radialista classificou a prisão como “midiática” e disse que todos os investigados foram absolvidos. Ele descreveu a primeira noite sem colchão, com baratas na cela, e lembrou ter passado todo o período bebendo água de torneira. A experiência, afirma, ensinou-lhe a valorizar pequenas coisas, além de aproximá-lo da leitura da Bíblia.
Fuga em massa e amizades improváveis
Gomes revelou ter sido informado antecipadamente sobre a fuga de 92 detentos ocorrida em 10 de setembro de 2018, após explosão no portão principal do presídio. Segundo ele, um dos organizadores, detento da cela vizinha, garantiu que nada ocorreria aos que não participariam da ação. O radialista não alertou as autoridades por temor de represálias. Ainda no PB1, chegou a conversar sobre literatura com criminosos considerados de alta periculosidade.
Novo olhar para a política
Desde então, o comunicador diz atuar nos bastidores de campanhas. Ele cita admiração por Cássio Cunha Lima, Ronaldo Cunha Lima, Pedro Cunha Lima e Veneziano Vital do Rêgo. Em contrapartida, demonstra repulsa por Gervázio Maia e preocupação com Hugo Motta. Para 2026, declara apoio ao prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, pré-candidato ao governo, mas admite auxiliar também o governador João Azevêdo em eventual disputa ao Senado.
Parceria com Nilvan Ferreira
Fabiano recordou o início da carreira ao lado de Nilvan Ferreira, sucesso nas manhãs de Cajazeiras nos anos 2000. Segundo ele, quando se transferiu para João Pessoa, chegou a cogitar desistir por depressão. A permanência teria sido condicionada à contratação do antigo companheiro de bancada, exigência atendida pela emissora.
Lágrimas ao falar de Jardenio Gomes
O momento mais delicado ocorreu quando comentou o assassinato do advogado Jardenio Gomes, amigo de infância morto em novembro de 2024. Chorando, Fabiano contou que, medicado, perdeu a hora e não conseguiu comparecer ao velório. “Eu já me peguei várias vezes abrindo o telefone dele para mandar mensagem”, confessou.
Entre memórias dolorosas e críticas contundentes, Fabiano Gomes diz ter saído da prisão “um homem melhor” para a família e reafirma que continuará exercendo o “sincericídio” que, segundo ele, marca sua trajetória no rádio e na televisão paraibanos.
Com informações de Diariodosertao



